A Diageo registrou um desempenho no primeiro trimestre de seu ano fiscal considerado por analistas como “menos pior que o esperado” no desafiador mercado dos Estados Unidos. A fabricante britânica de bebidas destiladas, dona de marcas como a vodca Smirnoff, o uísque Johnnie Walker e a tequila Casamigos, teve um crescimento orgânico consolidado de 1,4% em suas vendas entre julho a setembro, que atingiram US$ 4,93 bilhões, revertendo as projeções do mercado que apontavam para uma retração de 0,4%, para US$ 4,8 bilhões.
Na América do Norte, principal mercado consumidor do grupo por receita, as vendas caíram 3,7% na comparação anual, refletindo o desaquecimento contínuo da demanda e a perda de tração de grandes rótulos. O mercado norte-americano de bebidas alcoólicas vem enfrentando pressões estruturais nos últimos anos, com a moderação do consumo por parte de clientes preocupados com saúde e orçamento familiar. Esse cenário também atinge concorrentes como a Brown-Forman, fabricante do Jack Daniel’s, e a francesa Pernod Ricard, proprietária da Absolut e do Jameson.
Segundo a empresa, as tequilas Don Julio e Casamigos mantiveram fortes quedas de vendas no trimestre, configurando a principal preocupação operacional da gestão em solo americano. Na categoria de bebidas prontas para consumo, como coquetéis em lata, a companhia ainda foi penalizada por um problema técnico de embalagem na linha da Casamigos. Por outro lado, Johnnie Walker, a cerveja escura Guinness e a Smirnoff Ice RTD registraram expansão no período.
O diretor-presidente do conglomerado, Dave Lewis, no cargo desde o início do ano com a missão de reverter a trajetória nos EUA, declarou que os ajustes em precificação não buscam movimentos drásticos ou retaliações com concorrentes, mas sim o reposicionamento e alinhamento fino do próprio portfólio. Embora a expectativa para a América do Norte ainda seja de queda nas vendas ao longo do ano fiscal, o executivo afirmou que os dados do trimestre representam um passo na direção certa e que a empresa já deve recuperar parcelas de market share.
Analistas de mercado receberam os dados com tom construtivo, impulsionando os papéis da companhia na Bolsa de Londres em 2,81%. No acumulado dos últimos cinco anos, a perda acumulada nas ações da Diageo já supera 50%. James Edwardes Jones, analista do RBC Capital Markets, classificou o primeiro trimestre fiscal como “decente” diante da dinâmica menos negativa no mercado americano. Já a equipe do Bernstein apontou que, embora o resultado tenha sido ligeiramente favorecido por um efeito contábil pontual de antecipação de remessas e embarques, a superação geral das estimativas foi sólida.
A contração no polo norte-americano foi contrabalançada pela expansão orgânica em todas as demais regiões geográficas da Diageo, com destaque para Europa, Oriente Médio e África (Emea), Ásia-Pacífico e Índia. Diante da recomposição dos volumes externos e da sinalização da diretoria financeira de que a inflação nos fretes de distribuição tende a arrefecer com a acomodação recente dos preços internacionais do petróleo, o grupo reiterou suas metas para o ano fiscal, prevendo vendas orgânicas estáveis e crescimento de um dígito na margem do lucro operacional, amparado pela execução de seu plano de corte de custos de US$ 1 bilhão anunciado no último verão.
Opinião
A Diageo enfrenta um cenário desafiador nos EUA, mas os resultados globais demonstram resiliência e potencial de recuperação.





