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Dia do DNA: especialistas alertam sobre riscos e benefícios dos testes genéticos

Dia do DNA: especialistas alertam sobre riscos e benefícios dos testes genéticos

Será celebrado no sábado, o Dia do DNA, data que reforça a importância da genética na compreensão das doenças e na construção de estratégias de cuidado mais eficazes. Nos últimos anos, a oncologia passou por uma transformação significativa com a incorporação de testes genéticos capazes de identificar predisposições hereditárias ao câncer. Embora representem um avanço importante, esses exames ainda levantam dúvidas e exigem cautela na interpretação, especialmente fora do contexto clínico.

A ideia de que o câncer é, em grande parte, hereditário ainda é um equívoco comum. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que apenas entre 5% e 10% dos casos estão diretamente associados a mutações genéticas herdadas. A maioria dos tumores surge a partir de uma combinação de fatores, como envelhecimento, exposição ambiental, alimentação, sedentarismo e hábitos como o tabagismo.

Impacto das Alterações Genéticas

Ainda assim, quando presentes, as alterações genéticas podem ter impacto relevante na forma como a doença é prevenida, diagnosticada e tratada. Nesse contexto, os testes genéticos clínicos têm ganhado espaço como ferramentas de apoio à medicina personalizada. Diferentemente dos testes de ancestralidade, populares entre o público geral, esses exames são desenvolvidos com foco específico na saúde e seguem critérios rigorosos de indicação.

“É essencial entender que nem todo teste genético disponível no mercado tem utilidade clínica. Muitos exames vendidos diretamente ao consumidor trazem informações limitadas e não devem ser interpretados sem orientação médica”, explica a geneticista Luissa Hikari Hayashi Araujo.

Prevenção e Tratamento

A indicação para a realização de testes genéticos voltados à oncologia geralmente está relacionada ao histórico familiar. Casos de câncer em parentes próximos, especialmente em idades precoces ou em padrões recorrentes, podem indicar a presença de síndromes hereditárias. Nesses cenários, a investigação genética permite identificar mutações específicas que aumentam o risco de desenvolvimento de determinados tumores. Entre os exemplos mais conhecidos estão alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, fortemente associados ao câncer de mama e ovário.

Mulheres portadoras dessas mutações, por exemplo, podem apresentar risco significativamente maior ao longo da vida, o que justifica estratégias diferenciadas de acompanhamento. A identificação dessas alterações permite uma abordagem mais individualizada. Pacientes com predisposição genética podem iniciar exames de rastreamento mais cedo, realizá-los com maior frequência ou adotar medidas preventivas específicas.

Desafios e Aconselhamento Genético

Apesar dos avanços, especialistas reforçam que predisposição genética não é sinônimo de diagnóstico. Ter uma mutação não significa, necessariamente, que a pessoa desenvolverá câncer. Da mesma forma, a ausência de alterações identificáveis não elimina completamente o risco. Isso ocorre, porque muitos fatores envolvidos no surgimento da doença ainda não são totalmente compreendidos pela ciência.

Outro ponto importante é que os testes disponíveis atualmente não conseguem detectar todas as mutações possíveis. Existem variantes genéticas cujo significado ainda é desconhecido, classificadas como “variantes de significado incerto”. Nesses casos, não é possível afirmar se há aumento real do risco, o que exige acompanhamento contínuo e reavaliação conforme novos estudos surgem.

A expansão dos painéis multigênicos – exames que analisam simultaneamente diversos genes – tem ampliado a capacidade de investigação, mas também trouxe novos desafios. Quanto maior o volume de informações, maior a necessidade de interpretação especializada. Resultados mal compreendidos podem gerar ansiedade, decisões precipitadas ou até tratamentos inadequados. Por isso, o aconselhamento genético se tornou etapa fundamental no processo.

Educação em Saúde e Hábitos Saudáveis

Além da prevenção, a genética oferece possibilidades importantes, mas não substitui hábitos saudáveis nem elimina a necessidade de acompanhamento médico regular. A prevenção do câncer continua baseada em pilares bem estabelecidos. Alimentação equilibrada, prática de atividade física, controle do peso, redução do consumo de álcool, abandono do cigarro e realização de exames de rotina são medidas que impactam diretamente na redução do risco.

Opinião

A genética deve ser vista como uma aliada na luta contra o câncer, mas precisa ser utilizada com responsabilidade e conhecimento. O Dia do DNA é uma oportunidade para refletirmos sobre a importância do aconselhamento e da educação em saúde.