Política

Desembargadora Eva do Amaral Coelho critica STF e alerta sobre ‘escravidão’ judicial

Desembargadora Eva do Amaral Coelho critica STF e alerta sobre 'escravidão' judicial

A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará, fez duras críticas durante uma sessão realizada em 9 de abril sobre os novos limites estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para o pagamento de penduricalhos a magistrados em todo o Brasil. Ela alertou que, com essas restrições, ‘daqui a pouco a gente vai estar no rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão’.

Eva, que se tornou desembargadora em 2020 e foi aprovada como juiz na década de 1980, expressou sua indignação ao afirmar que a percepção pública sobre juízes se deteriorou, fazendo com que eles fossem vistos como ‘vilões da história’. ‘Hoje nós passamos de cidadãos que zelam pela proteção dos direitos para vilões da história. Nós somos os bandidos agora’, declarou.

Durante sua fala na 3ª Turma de Direito Penal, a desembargadora fez um desabafo sobre a situação difícil enfrentada pelos magistrados, que, segundo ela, têm trabalhado longas horas e sacrificado fins de semana. Ela pediu que a população vivenciasse o dia a dia dos juízes para entender a pressão e o esforço envolvidos em suas funções. ‘Enormes horas extras, sacrificando fim de semana’, destacou.

No mês de março, conforme a folha de pagamento divulgada pelo TJ, Eva recebeu R$ 91,2 mil líquidos. Ela criticou a narrativa que sugere que juízes não trabalham e apenas buscam privilégios, descrevendo essa visão como ‘uma expressão tão chula e tão vagabunda’. A desembargadora também mencionou que muitos de seus colegas estão enfrentando dificuldades financeiras.

Além disso, Eva do Amaral Coelho afirmou que não há atualmente uma voz em defesa dos magistrados e que, quanto mais eles se defendem, mais são atacados. ‘A população vai sentir quando ela procurar a justiça e realmente não tiver. Aí ela vai sentir e vai ver de que lado ela optou’, finalizou.

Opinião

A crítica da desembargadora reflete uma preocupação legítima sobre a percepção pública e as condições de trabalho dos magistrados, que muitas vezes são mal compreendidos pela sociedade.