Economia

Deputado Léo Prates aprova PEC que pode causar 640 mil demissões no comércio

Deputado Léo Prates aprova PEC que pode causar 640 mil demissões no comércio

O debate sobre o fim da escala 6×1 no comércio e serviços avança no Congresso, com a proposta de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sendo discutida. O deputado Léo Prates (Republicanos-BA), relator da PEC nº 221/2019, apresentou seu parecer, que foi aprovado na Comissão Especial em 27 de maio de 2026. A proposta estabelece um limite máximo de 40 horas semanais e garante dois dias de repouso semanal remunerado, efetivamente encerrando a escala 6×1.

Impactos econômicos

Especialistas alertam que essa mudança pode resultar em um aumento de 22% no custo da mão de obra e uma perda de 12,2% na riqueza gerada pelo setor de varejo. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) estima que a manutenção dos salários frente a uma jornada menor encarecerá o trabalho, levando a uma possível redução de 640 mil empregos com carteira assinada no Brasil.

Consequências para o setor de turismo

O setor de turismo também será severamente impactado, com a Associação Brasileira das Empresas de Serviços Auxiliares de Transporte Aéreo (Abesata) projetando um aumento de 20% nos custos operacionais. O CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, alertou que a nova jornada inviabilizará rotas intercontinentais, o que poderá afetar a competitividade do Brasil em comparação a destinos internacionais.

Preocupações logísticas

A PEC pode desencadear um apagão logístico, com o setor de transporte enfrentando um encarecimento de 18% na folha de pagamento. A Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina (Fetrancesc) classifica a situação como alarmante, uma vez que as transportadoras já lidam com uma defasagem no valor do frete.

Próximos passos

A aprovação da PEC requer votação em dois turnos na Câmara antes de seguir para o Senado. A medida é defendida pelo governo e conta com o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), mas entidades empresariais alertam para os riscos associados à implementação.

Opinião

A discussão sobre a jornada de trabalho deve levar em conta não apenas os direitos dos trabalhadores, mas também a sustentabilidade dos setores que geram empregos e movimentam a economia.