O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Master, realizou pagamentos que somam ao menos R$ 6 milhões ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) entre junho de 2024 e agosto de 2025, conforme um relatório da Polícia Federal (PF) enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
As investigações indicam que esses repasses demonstram uma relação próxima entre Vorcaro e Nogueira. A PF afirma que os diálogos analisados revelam a ciência e anuência de Vorcaro em manter esses pagamentos, que totalizaram um montante mínimo estimado em R$ 6 milhões.
Benefícios e Vantagens
De acordo com a PF, o senador teria obtido um benefício econômico direto de R$ 468.721,78 apenas em viagens internacionais. Além disso, foram identificados pagamentos mensais que variavam em torno de R$ 300 mil ou até mais, além de uma entrega de R$ 350 mil em espécie para Nogueira.
A PF detalha que as vantagens indevidas foram materializadas através de aquisições societárias com expressivo deságio, pagamentos periódicos, uso de imóveis de Vorcaro como se fossem próprios e custeio de despesas em hotéis e eventos de luxo.
Influência Política e Emenda Master
Como contrapartida, Nogueira atuou no Senado para favorecer os interesses de Vorcaro. A PF destaca a chamada emenda Master, que buscava aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, como uma das principais evidências dessa relação. Essa emenda era crucial para a credibilidade do modelo financeiro do Master.
Um trecho do relatório menciona que Vorcaro enviou R$ 350 mil em espécie para Nogueira em um avião particular, com base em mensagens trocadas entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, em agosto de 2025.
Opinião
A revelação dos pagamentos entre Vorcaro e Nogueira levanta sérias questões sobre a ética e a transparência nas relações políticas e financeiras no Brasil.





