O caso do Banco Master estourou em novembro de 2025, quando o Banco Central liquidou a instituição e a Polícia Federal prendeu seu dono, Daniel Vorcaro. O que parecia ser uma suspeita de fraude bilionária, envolvendo a venda de carteiras de crédito sem lastro, rapidamente se transformou em um escândalo político que atinge a classe política em um ano eleitoral.
A investigação revelou que Vorcaro mantinha uma rede de contatos que incluía servidores públicos, políticos e dirigentes de instituições financeiras. Entre os implicados estão o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é investigado por lavagem de dinheiro e corrupção.
Investigações e Conflitos no STF
A Operação Compliance Zero, deflagrada para aprofundar as investigações sobre o Master, teve dez fases até julho de 2026. O caso ganhou novos contornos quando, em 1º de setembro, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF que revelou a relação de Moraes com Vorcaro. Mensagens extraídas do celular de Vorcaro indicam que Moraes e o banqueiro mantiveram contato frequente entre março de 2024 e agosto de 2025.
Os documentos apontam que Moraes revisou um contrato de R$ 131 milhões assinado por sua esposa, Viviane Barci de Moraes, para a prestação de serviços ao Master. Além disso, foram identificados pagamentos de R$ 61 milhões feitos por Vorcaro a Flávio Bolsonaro, que negou irregularidades e afirmou que o valor se referia a um “patrocínio” para um projeto privado.
A Escalada do Escândalo
As investigações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, também envolvem Flávio Bolsonaro. O senador é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, após a revelação de que Vorcaro havia feito pagamentos significativos.
O conflito entre ministros do STF aumentou quando Moraes acusou Mendonça de abuso de autoridade, levando a uma crise institucional na Corte. Em resposta, Mendonça ordenou a destituição do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. A situação levou o presidente do STF, Edson Fachin, a convocar uma sessão para tentar resolver a crise.
Opinião
O Caso Master ilustra a complexidade das relações entre o setor financeiro e a política brasileira, revelando um cenário preocupante de corrupção e impunidade que precisa ser enfrentado com seriedade.





