Economia

Copom reduz Selic enquanto Fed mantém taxa em meio a incertezas do Oriente Médio

Copom reduz Selic enquanto Fed mantém taxa em meio a incertezas do Oriente Médio

O Banco Central do Brasil e o Federal Reserve (Fed) se preparam para uma Superquarta marcada por decisões importantes, mas ambos enfrentam a mesma sombra de incerteza provocada pelo conflito no Oriente Médio e a alta dos preços do petróleo.

O Copom deve avançar na continuidade do ciclo de calibração da Selic, com uma redução esperada de 0,25 ponto. O mercado já considera essa mudança como certa, e a atenção se volta para o comunicado que acompanhará a decisão, especialmente em relação ao balanço de riscos da inflação e as projeções do IPCA.

Expectativas e projeções

A expectativa é de que o Copom revise suas estimativas de inflação, com o IPCA projetado entre 3,3% e 3,5%. O horizonte relevante para essas projeções agora se estende até o quarto trimestre de 2027. Desde a reunião de março, declarações de dirigentes do BC, incluindo o presidente Gabriel Galípolo, sugerem uma possível alteração no balanço de riscos, que atualmente permanece simétrico.

Entretanto, a incerteza em relação aos efeitos da guerra no Irã faz com que parte do mercado acredite que o Copom não indicará uma assimetria explícita nos riscos inflacionários. Alguns analistas, no entanto, defendem que uma comunicação mais cautelosa seria apropriada, considerando a situação atual.

Decisão do Fed e contexto econômico

Nos Estados Unidos, a expectativa é de que o Fed mantenha a taxa dos Fed funds entre 3,50% e 3,75% pela terceira reunião consecutiva. A situação no Oriente Médio continua a complicar as perspectivas para a inflação e a atividade econômica, tornando difícil qualquer sinalização clara sobre os próximos passos da política monetária.

Apesar da manutenção das taxas, o mercado de trabalho nos EUA se mostra resiliente, com o desemprego permanecendo baixo. No entanto, a inflação continua elevada, com pressões adicionais provocadas pela alta dos preços das commodities, especialmente de energia. Assim, o Fed deve optar por uma postura de “esperar para ver”, com a coletiva de imprensa do presidente Jerome Powell recebendo atenção especial, pois pode ser uma das últimas sob sua liderança.

Opinião

As decisões do Copom e do Fed refletem a complexidade do cenário econômico atual, onde o impacto do conflito no Oriente Médio e as pressões inflacionárias exigem cautela e atenção redobrada dos investidores.