A COP17, realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, caminha para mais um adiamento na criação de um regime global para enfrentar as secas. O evento, que termina em 28 de outubro de 2023, já mostra sinais de que não haverá consenso sobre o tema, com a oposição liderada pelos Estados Unidos e pela União Europeia.
O Brasil, por sua vez, apoia a criação desse regime, mas reconhece que, sem um consenso, o melhor é manter o assunto na agenda para futuras discussões, especialmente considerando que a próxima conferência, COP18, está prevista para 2028 no Egito.
Desafios e impasses nas negociações
Durante a conferência, ficou claro que a oposição dos EUA e da UE é compartilhada por outros países sul-americanos, como Argentina, Chile e Paraguai. Enquanto os representantes dos Estados Unidos desejavam a exclusão total do tema dos documentos finais, países africanos insistiam na criação efetiva do mecanismo, algo que é defendido há pelo menos três conferências.
As dificuldades enfrentadas nas negociações são tanto financeiras quanto geopolíticas. A União Europeia se mostra relutante em comprometer-se com gastos externos, especialmente em um momento em que enfrenta crises de seca em seu próprio território.
Urgência do problema das secas
Relatórios da UNCCD indicam que a frequência e a intensidade das secas aumentaram quase 30% desde 2000. O coordenador do grupo de trabalho sobre seca da UNCCD, Daniel Tsegai, alerta que a seca se tornou um risco sistêmico, afetando não apenas o setor agrícola, mas também o comércio global e a saúde pública.
Enquanto o regime global de secas permanece incerto, iniciativas paralelas estão avançando. A Aliança de Riad comprometeu-se a investir US$ 150 milhões em um fundo comum para ajudar 70 países em desenvolvimento a se adaptarem à seca. Além disso, foi criado o Fundo de Investimento para Resiliência à Seca, com o objetivo de mobilizar até US$ 400 milhões em capital público e privado.
Opinião
A situação atual da COP17 evidencia a necessidade urgente de um compromisso global mais robusto para enfrentar as secas, que são um desafio crescente e interconectado.





