A China estocou carvão suficiente para mais de 30 dias, visando abastecer usinas termelétricas diante da esperada onda de calor e da escassez de energia elétrica provocada pelo fenômeno climático El Niño. A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), que cuida do planejamento econômico do país, anunciou os níveis de estoque de carvão.
O fenômeno El Niño deve se intensificar neste verão, resultando em um aumento de cerca de 5% na demanda máxima de energia elétrica em comparação ao ano anterior. Esse aumento equivale a 90 gigawatts de energia, o que representa a demanda de eletricidade de toda a província de Henan, na região central da China.
Até o final de abril, as usinas termelétricas na China haviam estocado cerca de 200 milhões de toneladas de carvão, o que, segundo a NDRC, é suficiente para pelo menos 30 dias de fornecimento de energia. Além disso, a capacidade de armazenamento de água nas usinas hidrelétricas ultrapassa 80 mil gigawatts-hora, um nível estável em comparação ao passado, conforme afirmou a NDRC.
Em 2023, a China adicionou 100 GW de capacidade de geração de energia até abril. Em situações de emergência, as autoridades utilizarão um mecanismo para compartilhar eletricidade entre as regiões. Um porta-voz da NDRC declarou que essas condições significam que a China “atenderá suficientemente à demanda máxima neste verão”.
A energia térmica, que é alimentada principalmente por carvão, representa mais de 60% da geração total de eletricidade da China. O consumo de energia entre janeiro e abril aumentou 5,4% em relação ao ano anterior, mas a produção de carvão permaneceu praticamente estável. Os preços dos combustíveis fósseis continuam a subir, com o índice de preços ao produtor mostrando que os preços do petróleo e do carvão subiram 14% em abril em comparação ao ano anterior.
Se as tensões no Oriente Médio persistirem, é mais provável que a alta nos preços do carvão se reflita nas contas de luz das famílias.
Opinião
A preparação da China para uma possível crise energética revela a importância de se antecipar a fenômenos climáticos e suas consequências econômicas.





