Tecnologia

CESAR e Banco do Brasil alertam: computação quântica pode destruir criptografia até 2026

CESAR e Banco do Brasil alertam: computação quântica pode destruir criptografia até 2026

Imagine um cenário em que senhas, dados bancários e comunicações sigilosas possam ser interceptados em minutos por máquinas ultrarrápidas. O que parece ficção científica é, em 2026, um desafio real para especialistas em cibersegurança: o avanço da computação quântica ameaça tornar obsoleta a criptografia tradicional, que protege desde aplicativos de mensagens até reservas internacionais.

Para debater essa vulnerabilidade global, o centro de inovação CESAR, em parceria com o Banco do Brasil, realizou a primeira edição do co.labbs series. O evento, intitulado “Defesa Cibernética na Era Quântica: Estratégia, Resiliência e Futuro”, ocorreu em 23 de novembro de 2023, em Brasília. Realizado em formato híbrido, o encontro também celebrou o Mês Mundial Quântico.

Riscos da computação quântica

O horizonte para a maturidade dessa tecnologia tem uma data marcante no radar da indústria, estimado para 2029. De acordo com estudos recentes publicados pelo Google e acompanhados por órgãos globais de padronização, este é o ano previsto para que a computação quântica atinja a estabilidade necessária para realizar operações em escala industrial. Embora pareça um prazo distante, para especialistas em segurança digital, a data representa um limite crítico.

Isso porque, uma vez estabelecidos, esses sistemas terão a capacidade de comprometer protocolos de segurança que atualmente protegem a economia global. O debate do evento trouxe os limites dos métodos atuais de segurança digital, destacando que a transição para a era quântica exige educação e especialização na interface entre física e computação.

Colheita de dados e vulnerabilidades

Os painelistas alertaram que o Brasil vive um movimento preventivo, pois, embora a tecnologia quântica ainda opere em escala laboratorial, o risco da colheita de dados por cibercriminosos já é uma realidade. Um dos pontos focais foi o ataque HNDL, em que agentes maliciosos interceptam dados hoje para decifrá-los quando o hardware quântico atingir a maturidade (o chamado “Dia Q”).

A especialista em cibersegurança e privacidade do BB, Ana Cláudia Ramos, ressaltou que algoritmos como RSA e ECC, pilares da segurança atual, são vulneráveis ao algoritmo de Shor. “Processos que levariam milênios na computação clássica serão resolvidos em frações de tempo”, alertou.

Oportunidades e desafios

Apesar do alerta sobre os riscos, os especialistas também exploraram as oportunidades. Gustavo Botelho, engenheiro especialista em IA e computação quântica do BB, ressaltou que a tecnologia não substituirá a computação clássica, mas funcionará de forma híbrida para potencializar resultados. Everton Dias, gerente de projetos e pesquisador em quântica do CESAR, detalhou que o centro já trabalha em parceria com a Febraban em pesquisas aplicadas, como o uso de Quantum Machine Learning para detecção de fraudes.

O debate em Brasília evidenciou que a segurança digital deixou de ser apenas uma questão técnica para se tornar um pilar da vida digital e da soberania nacional. A migração para o modelo Quantum-Safe exige um inventário profundo de onde os algoritmos atuais estão rodando, uma tarefa monumental para grandes corporações. “O melhor dia para começar a migração era ontem; o segundo melhor é hoje”, resumiu Fábio Maia, coordenador técnico e pesquisador-chefe do Centro de Competência (Cissa), operado pelo CESAR.

Opinião

O evento destacou a urgência de ações proativas no Brasil para enfrentar os desafios trazidos pela computação quântica, que pode redefinir a segurança digital nos próximos anos.