O Osasco São Cristóvão Saúde se manifestou após a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) anunciar, em 14 de outubro de 2023, uma nova política de elegibilidade. Segundo a nova regra, apenas atletas do sexo biológico feminino poderão competir nas competições femininas da entidade. Essa decisão impacta diretamente a oposta Tifanny, a primeira atleta trans a disputar a Superliga desde dezembro de 2017.
Tifanny, que representa o Osasco desde 2021, conquistou com a equipe o título da temporada 2024/2025. Em nota, o clube paulista expressou estar ‘surpreendido’ pela decisão da CBV, afirmando que a medida foi tomada ‘sem qualquer participação ou opinião prévia do clube’. O caso foi encaminhado ao departamento jurídico do Osasco, que está avaliando a normativa publicada para definir os próximos passos. O clube também declarou seu ‘integral apoio a Tifanny’.
A Federação Paulista de Volleyball (FPV) também se pronunciou sobre a nova política. A entidade informou que, como o Campeonato Paulista teve início antes da publicação da nova política, ‘eventuais medidas’ serão tomadas ‘para as próximas competições’ após análise e manifestação das áreas jurídica e de saúde. Assim, Tifanny segue liberada para disputar o Campeonato Paulista.
A estreia do Osasco na competição está marcada para este sábado, 15 de outubro de 2023, contra o Pinheiros, às 21h30 (horário de Brasília), no Ginásio José Liberatti, em Osasco (SP).
Nova política de elegibilidade
A nova política da CBV tem como objetivo estar em conformidade com as regras do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). As atletas deverão cumprir critérios estabelecidos, incluindo a apresentação de resultado negativo para o gene SRY. A norma anterior permitia que mulheres trans atuassem desde que os níveis de testosterona sérica estivessem abaixo de um determinado limite.
A nova determinação entrará em vigor nas próximas edições da Superliga, nas duas principais divisões, na Supercopa, na Copa Brasil e no Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia de 2027. Em fevereiro deste ano, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu uma liminar que permitiu a participação de Tifanny na Copa Brasil, em Londrina (PR), atendendo a pedido da própria CBV.
Opinião
A nova regra da CBV levanta questões importantes sobre inclusão e equidade no esporte, refletindo um debate que ainda precisa ser aprofundado na sociedade.





