Economia

Casas Bahia e Marabraz pedem recuperação judicial em meio à crise no varejo

Casas Bahia e Marabraz pedem recuperação judicial em meio à crise no varejo

Casas Bahia e Marabraz são apenas a ponta do iceberg em um cenário alarmante para o varejo brasileiro. Em agosto de 2026, ambas as empresas solicitaram recuperação judicial, evidenciando uma crise que já arrastou 986 empresas nesse setor. No primeiro semestre de 2026, os pedidos de recuperação judicial cresceram 20,4% em comparação ao ano anterior, refletindo uma situação crítica que afeta empresas de diversos segmentos.

Os principais fatores que contribuíram para essa crise incluem o ciclo de crédito restritivo, com a taxa básica de juros a 14% ao ano, que encarece o acesso ao crédito e reduz o poder de compra das famílias. Em julho de 2026, o endividamento das famílias brasileiras alcançou o alarmante patamar de 82%, segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).

Empresas em recuperação judicial

Além de Casas Bahia e Marabraz, outras grandes redes também enfrentam dificuldades. O Grupo Toky, que controla as marcas Mobly e Tok&Stok, pediu recuperação judicial com dívidas de R$ 1,1 bilhão. A rede de supermercados St. Marche teve sua recuperação judicial concedida com um passivo de R$ 188 milhões. Já a Casa & Vídeo solicitou recuperação judicial em abril de 2026, citando a crise causada por fatores externos, mas afirmando que sua operação permanece viável.

O cenário é ainda mais preocupante, pois muitas pequenas empresas não chegam a recorrer à recuperação judicial e simplesmente fecham as portas. Atualmente, o varejo brasileiro registra 686 empresas em falência e 986 em recuperação judicial, uma relação alarmante de uma falência para cada 1,4 empresa em recuperação.

Impactos do comércio eletrônico

Além dos fatores macroeconômicos, a dificuldade de adaptação ao comércio eletrônico tem sido um desafio para muitas redes tradicionais. Entre 2020 e 2025, o faturamento do comércio eletrônico brasileiro cresceu 86,3%, enquanto o varejo físico perdeu participação nas intenções de compra. Redes como Marabraz e Casa & Vídeo enfrentam pressão crescente do comércio eletrônico, com a primeira não conseguindo se adaptar às novas demandas digitais.

Opinião

A situação do varejo brasileiro é preocupante e reflete a necessidade urgente de adaptação às novas realidades econômicas e digitais.