O Brasil vivencia um recorde nas demissões por justa causa, com 638,7 mil desligamentos registrados em 2025. Este número representa 2,6% do total de desligamentos no país e é o maior desde o início da série histórica em 2004, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
A alta nas demissões reflete um mercado de trabalho aquecido, que se intensificou após o fim da pandemia. Em 2019, o Brasil registrou 216 mil demissões por justa causa, um número que praticamente triplicou em 2025. Especialistas apontam que a flexibilização dos critérios de contratação e a alta rotatividade são fatores que contribuem para essa situação.
Taxa de desemprego e comportamento dos trabalhadores
Em fevereiro de 2026, a taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4%, um dos níveis mais baixos da história. Essa queda fez com que o medo da demissão deixasse de ser um fator disciplinador eficaz, levando a um aumento nos pedidos de demissão voluntária. Em 2025, foram registrados 9 milhões de pedidos desse tipo, um aumento de 5,9% em relação ao ano anterior.
Influência da tecnologia e do Bolsa Família
A tecnologia também desempenha um papel importante nesse cenário. O monitoramento digital permite que as empresas acompanhem as horas trabalhadas e o tempo gasto em redes sociais, facilitando a justificativa para demissões por justa causa. Além disso, o vício em apostas online durante o expediente tem sido apontado como um fator que contribui para esse aumento.
Os programas sociais, como o Bolsa Família, também influenciam o mercado de trabalho. Ivandick Rodrigues, professor de Direito do Trabalho, explica que a garantia de uma renda mínima leva muitos trabalhadores a recusar condições que considerem desfavoráveis. Atualmente, há 38,6 beneficiários do Bolsa Família para cada 100 trabalhadores com carteira assinada, e nove estados brasileiros possuem mais beneficiários do que empregados com carteira assinada.
Opinião
A situação das demissões por justa causa no Brasil revela um mercado de trabalho em transformação, onde a combinação de fatores econômicos e sociais está moldando o futuro das relações trabalhistas.





