O pequeno país caribenho, Haiti, será o próximo adversário do Brasil pelo Grupo C da Copa do Mundo na sexta-feira, 19 de junho de 2026, às 21h30 (horário de Brasília), na Filadélfia, Estados Unidos. A seleção haitiana entrará em campo com um novo uniforme, sem referência à luta anticolonial, por exigência da FIFA. As relações entre Brasil e Haiti vão além do futebol, abrangendo cultura, acolhimento humanitário e ações de solidariedade.
No ranking da FIFA, as duas seleções estão em extremos opostos, com o Brasil em sexto lugar e o Haiti na lanterna. Os Les Grenadiers (Os Granadeiros), apelido da equipe haitiana, retornam ao Mundial 50 anos após a primeira participação, em 1974. Este é um feito histórico, em meio à grave crise política e humanitária no país, agravada por desastres naturais, como o terremoto de 2010, que vitimou 200 mil pessoas e deixou 1,5 milhão de desabrigados.
A seleção haitiana foi derrotada pela Escócia por 1 a 0 em sua estreia na Copa, apesar de ter dominado a partida, com 47% de posse de bola. O meia Jean-Ricner Bellegarde expressou otimismo: “Estou sorrindo porque precisamos manter o pensamento positivo: podemos competir neste nível”.
O encontro entre Brasil e Haiti também celebra o futebol como instrumento de uma cultura de paz. O Haiti foi um dos países onde a seleção brasileira mais conquistou fãs, que coloriam ruas e casas de verde-amarelo a cada Copa. Em um momento emblemático, em 2004, o Brasil levou estrelas como Ronaldo Nazário e Ronaldinho Gaúcho para um amistoso em Porto Príncipe, a capital haitiana. O “Jogo da Paz” marcava o início de uma campanha de desarmamento no país, após intensos conflitos armados.
Com a classificação histórica para esta edição da Copa, os haitianos agora endereçam sua torcida aos heróis nacionais, entre eles o centroavante Duckens Nazon, artilheiro da seleção haitiana, com 44 gols em mais de 80 jogos. Nazon foi decisivo na classificação, fazendo três gols em uma partida contra a Costa Rica.
Situação política no Haiti
O Haiti é governado pelo primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé, apoiado pelos Estados Unidos, e convive com grupos políticos armados que controlam a capital. O professor de História Gabriel Léccas avalia que a estabilidade no Haiti é incompatível com os interesses estrangeiros. A FIFA vetou menções à revolução haitiana na camisa da seleção, refletindo um silenciamento histórico.
Desde o terremoto de 2010, o Brasil facilitou a entrada de haitianos, recebendo solicitações de refúgio de 175 países. Haitianos lideram a lista. O Brasil também apoia a criação da Polícia Nacional do Haiti, após deixar a controversa Missão das Nações Unidas, que enfrentou denúncias de violações de direitos humanos.
Opinião
A luta do Haiti por reconhecimento e dignidade, tanto no campo quanto fora dele, é um reflexo das complexidades sociais e políticas que o país enfrenta. O futebol pode ser uma ponte para a esperança.





