A recente disparada nos preços dos fertilizantes e as novas restrições de exportação impostas pela China e pela Rússia revelam a crescente dependência do Brasil em relação a insumos importados, aumentando o risco de inflação nos alimentos. A ureia, um dos principais fertilizantes, alcançou o preço de US$ 710 por tonelada no porto brasileiro, uma alta de 50% em apenas 30 dias.
A Rússia é a maior fornecedora de fertilizantes do Brasil, respondendo por 25,9% das importações em 2025, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A China, por sua vez, é o terceiro maior exportador, mas recentemente restringiu suas vendas de fertilizantes fosfatados, bloqueando até 40 milhões de toneladas de insumos.
Alta de preços e risco de desabastecimento
A situação se agrava com a suspensão das exportações de nitrato de amônio pela Rússia, o que pode resultar em escassez de adubos químicos. Embora os fertilizantes para a safra atual já tenham sido adquiridos, a falta de novos embarques pode impactar o início do plantio da safra 2026/27, com preços inflacionados.
As tensões no Oriente Médio e a alta dos custos de frete devido a conflitos no Mar Vermelho adicionam pressão ao setor. Técnicos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) alertam para um “elevadíssimo risco” de elevação de preços internos e até desabastecimento.
Estagnação do Plano Nacional de Fertilizantes
O Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) visa reduzir a dependência de fertilizantes importados de 85% para 45% até 2050, mas até agora não houve avanços significativos. A senadora Tereza Cristina (PL-SP), responsável pelo lançamento do PNF, critica a falta de ação do governo após crises anteriores, afirmando que “não aprendemos nada” com os desafios enfrentados.
A baixa competitividade da produção nacional é atribuída a entraves estruturais, como o alto custo do gás natural, que chega a ser até três vezes mais caro no Brasil do que em outros países. Além disso, a carga tributária elevada desestimula investimentos na produção interna.
Opinião
A vulnerabilidade do Brasil em relação a fertilizantes importados é alarmante e exige ações imediatas para garantir a segurança alimentar e a estabilidade dos preços no mercado interno.





