Os bancos centrais dos países desenvolvidos podem estar entrando em um novo normal, conforme avaliado por Maykon Douglas, analista econômico da ZIIN Investimentos. Essa nova realidade implica em uma atenção maior a choques de oferta e uma reação mais agressiva em relação às taxas de juros. A conclusão se baseia em um índice criado pela ZIIN que avalia dados de 24 bancos centrais, o qual está positivo desde maio de 2023, impulsionado principalmente pelos desenvolvidos.
A correlação entre as oscilações dos bancos centrais ricos e os emergentes subiu de 0,45 para 0,81 desde o início da Covid-19. Para Douglas, essa dinâmica pode sinalizar mudanças profundas, considerando a série de choques econômicos e geopolíticos que ocorreram nos últimos anos, além da deterioração fiscal global desde a crise da Covid-19.
Choques de Oferta e Política Monetária
A deterioração fiscal é exacerbada por fatores geopolíticos que exigem um aumento nos gastos com defesa, além de um contexto demográfico que demanda um Estado mais ativo em questões sociais. Douglas sugere que estamos diante de um novo normal onde os bancos centrais podem começar a lidar com disrupções de oferta de maneira mais proativa.
Tradicionalmente, a política monetária se concentra mais em choques de demanda, já que suas ações afetam diretamente o consumo e o emprego. No entanto, choques de oferta, provenientes de guerras ou pandemias, costumavam receber pouca ou nenhuma atenção. Com um mundo cada vez mais incerto e fragmentado, a expectativa é que os bancos centrais reajam mais a essas crises nos próximos anos.
Movimento dos Juros e Indicadores
O índice da ZIIN, que varia de -100 a 100 pontos, é calculado com base na proporção de bancos centrais que aumentaram ou diminuíram as taxas de juros. Em setembro, o índice se manteve positivo, refletindo uma política monetária mais apertada adotada pela maioria dos bancos centrais desenvolvidos, enquanto a maioria dos emergentes manteve suas taxas.
No mesmo mês, o Federal Reserve dos Estados Unidos e o Banco Central Europeu elevaram suas taxas, sinalizando a possibilidade de novos ajustes em um curto prazo. Esta política monetária foi intensificada por fatores como o conflito no Oriente Médio, que impacta a inflação de energia, e a resiliência da demanda doméstica, especialmente nos EUA, onde um boom de investimentos em IA está impulsionando a economia.
Opinião
O cenário atual revela a necessidade de uma adaptação das políticas monetárias frente a desafios globais, indicando que os bancos centrais podem estar se preparando para um futuro mais volátil.





