Política

Banco Central avalia criação de colegiados após suspeitas de favorecimento ao Master

Banco Central avalia criação de colegiados após suspeitas de favorecimento ao Master

Após suspeitas de que dois servidores trabalharam para favorecer o Banco Master internamente, o Banco Central anunciou nesta quinta-feira, 7, que vai avaliar a possibilidade de instituir instâncias colegiadas em todos os seus processos decisórios.

A criação desse tipo de modelo já era vista como uma forma de evitar novos casos, como o do banco de Daniel Vorcaro, conforme antecipou o Broadcast no início de março. A possibilidade de criação de instâncias colegiadas no BC está prevista no Plano de Integridade 2026-2027, que integra o Plano Estratégico Institucional (PEI) 2026-2029 da autarquia.

Decisões e Afastamentos

Os dois funcionários, Paulo Sérgio Neves e Belline Santana, foram afastados administrativamente no início do ano, e essa decisão foi confirmada pela Justiça. Ambos estão passando por um processo administrativo na Controladoria-Geral da União (CGU). Investigações internas identificaram indícios de vantagens indevidas recebidas por eles para favorecer o Banco Master, incluindo o retardamento do envio de documentos à Polícia Federal.

Modelo de Governança

O modelo atual de decisões do BC é conjunto, considerado mais seguro, e a criação de instâncias colegiadas inferiores reduziria a margem de manobra individual de cada agente. O Plano de Integridade também aborda a validação em duas etapas das decisões, papéis e responsabilidades nos processos, padronização dos ciclos de decisão e gestão de riscos.

Além disso, o BC lançou outras iniciativas para garantir a integridade no ambiente de trabalho, como a alternância nas posições internas para mitigar conflitos de interesse. O Banco Central também prevê a adoção de uma diligência prévia e outras medidas para prevenir desvios de integridade.

Fortalecimento da Integridade

O BC ainda planeja nove ações para fortalecer o monitoramento de riscos à integridade, definindo como prevenção, detecção, responsabilização e remediação de fraudes e atos de corrupção. Essas ações incluem o monitoramento periódico dos riscos e a avaliação da estrutura e funcionamento da gestão da integridade do BC, podendo resultar em um modelo aderente às recomendações da OCDE.

Opinião

A adoção de instâncias colegiadas no Banco Central é um passo importante para garantir a transparência e a ética nas decisões, essencial para a credibilidade da instituição.