Economia

Banco Central alerta: El Niño pode acirrar inflação e preços disparam!

Banco Central alerta: El Niño pode acirrar inflação e preços disparam!

Após uma trégua de três meses, a inflação voltou a acelerar e registrou alta de 4,58% nos 12 meses encerrados em setembro de 2026, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O fenômeno climático El Niño pode agravar ainda mais este cenário, com uma chance de 83% de se tornar forte a muito forte no primeiro trimestre de 2027, segundo o Centro de Previsão Climática da Administração Nacional dos Oceanos e da Atmosfera (CPC/NOAA). Este evento, um dos maiores desde 1950, pode impactar diretamente a oferta de alimentos e os custos de energia.

Impactos diretos no bolso do consumidor

Os efeitos do El Niño devem ser sentidos rapidamente, com a menor oferta de alimentos levando a um aumento de 0,40 ponto percentual no IPCA (índice oficial de inflação do Brasil). Especialistas alertam que, em um cenário mais severo, esse impacto pode chegar a 1,2 ponto percentual até o primeiro semestre de 2027.

Preços de alimentos em alta

Os itens frescos, como hortifrutigranjeiros, são os primeiros a sentir os efeitos, com destaque para o tomate, que teve uma alta de 37,8% em setembro de 2026. Além disso, a carne bovina já apresentou um aumento de 3,4% no mesmo período. O coordenador de Índices do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), André Braz, explica que a combinação de clima adverso e a desorganização das chuvas impactam diretamente a produção agrícola.

Aumento nos custos de energia

A tarifa de energia elétrica também foi afetada, subindo quase 8% em setembro de 2026. O uso de usinas térmicas, devido à baixa nos reservatórios, eleva os custos de geração e, consequentemente, as contas dos consumidores. O aumento dos preços de combustíveis e a dificuldade de escoamento da produção em regiões como Manaus também contribuem para a pressão inflacionária.

Perspectivas para o futuro

Os analistas do Rabobank e da XP Investimentos projetam que a alta nos preços das carnes deve ser ainda mais acentuada no final de 2026 e início de 2027. A combinação de custos elevados de ração e a redução da qualidade das pastagens devido à seca são fatores que agravam a situação.

Opinião

O cenário econômico se torna cada vez mais desafiador com a aproximação do El Niño, e os consumidores devem se preparar para impactos diretos no custo de vida, refletindo a fragilidade do sistema econômico atual.