Política

Atlas da Violência revela aumento alarmante de homicídios ocultos no Brasil

Atlas da Violência revela aumento alarmante de homicídios ocultos no Brasil

O Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, com uma taxa de 20,1 homicídios por 100 mil habitantes, representando uma redução de 6,9% no número absoluto de mortes em relação a 2023. No entanto, essa queda é ofuscada pelo alarmante aumento dos chamados homicídios ocultos, que cresceram 88% de um ano para o outro, saltando de 3.755 para 7.083 homicídios ocultos. Esses dados foram revelados na mais recente edição do Atlas da Violência, publicado em maio de 2024 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Aumento de homicídios ocultos e suas implicações

Entre 2014 e 2024, o Brasil acumulou 55.212 homicídios ocultos, com uma média de 5.019 casos por ano. Este aumento significativo levanta questões sobre a qualidade e a precisão dos dados utilizados para formular políticas públicas de segurança. Em 10 estados, o registro de mortes indeterminadas aumentou mais de 200% em 2024, incluindo estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Alagoas.

Desafios na coleta de dados sobre violência

A análise da letalidade intencional no Brasil é prejudicada pela falta de padrões na coleta de dados. O coronel Onivan Elias, especialista em segurança pública, destaca que a incapacidade de aferir a intencionalidade de muitas mortes violentas compromete a análise da violência no país. Ele ressalta que a metodologia de registro e a transparência na coleta de dados são desafios cruciais para a formulação de políticas públicas eficazes.

Responsabilidade dos políticos eleitos

A responsabilidade dos políticos eleitos em 2024 é significativa, pois eles têm o poder de implementar medidas que podem melhorar a situação. O coronel Elias propõe aumentar o número de peritos e investigadores, bem como investir em equipamentos e insumos para qualificar os resultados das perícias. Além disso, é essencial promover a transparência e a padronização dos dados, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Opinião

A crescente disparidade nos dados de homicídios no Brasil evidencia a urgência de uma reforma na coleta e análise dessas informações, essencial para garantir a segurança pública e a confiança da população nas instituições.