Discord entrou em uma nova fase de sua história no Brasil. A decisão da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) de determinar a suspensão das transmissões ao vivo e de recursos equivalentes de compartilhamento de vídeo recolocou a plataforma no centro do debate sobre segurança digital, proteção de crianças e adolescentes e responsabilidade das grandes empresas de tecnologia.
Para entender o momento atual, é preciso voltar ao início dessa história. O Discord surgiu a partir da empresa de desenvolvimento de jogos Hammer & Chisel e foi criado inicialmente para atender às necessidades de comunicação do jogo Fates Forever. O serviço foi lançado em 13 de maio de 2015 e ganhou espaço rapidamente entre jogadores, comunidades de eSports e usuários de plataformas de streaming.
O crescimento do Discord
O que aconteceu depois ultrapassou o universo dos games. Em 2020, o Discord anunciou uma mudança de posicionamento para deixar de ser percebido exclusivamente como uma plataforma voltada aos videogames. A empresa passou a apresentar o serviço como um espaço mais amplo de comunicação e comunidades, adotando o slogan “Your place to talk”. Essa transformação alterou também o perfil de utilização da plataforma, que passou a reunir não apenas jogadores, mas desenvolvedores, criadores de conteúdo, empresas, comunidades de interesse, grupos de estudo e diferentes organizações.
Os números ajudam a dimensionar o impacto dessa transformação. Em 2025, o Discord alcançou 200 milhões de usuários ativos mensais, e em 2024, registrou 19 milhões de servidores ativos semanalmente. No Brasil, a plataforma representa 3,75% do tráfego, segundo dados da Similarweb.
A decisão da ANPD
O crescimento trouxe responsabilidades proporcionais. Em 12 de agosto de 2026, a ANPD determinou a suspensão da funcionalidade de transmissão ao vivo no território nacional. A medida foi tomada no âmbito de um processo de fiscalização que apurou falhas na proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. A ANPD identificou que a plataforma não teria adotado medidas razoáveis para prevenir e mitigar riscos relacionados à exposição de menores a conteúdos ou práticas envolvendo violência, automutilação e suicídio.
A ANPD afirmou que a suspensão permanecerá até que o Discord demonstre a implementação de medidas de segurança adequadas. A reativação dependerá de autorização expressa da agência, e a infração pode resultar em multa de até R$ 50 milhões.
Posicionamento do Discord
Em resposta, o cofundador do Discord, Stanislav Vishnevskiy, afirmou que a empresa está cumprindo a determinação da ANPD e trabalhando de boa-fé. Ele reconheceu que a suspensão afeta diretamente usuários brasileiros e destacou que a plataforma continua disponível, com funcionalidades que não dependem de vídeo.
Vishnevskiy também pediu que usuários brasileiros compartilhassem suas experiências com a plataforma, enfatizando que o Discord é menos conhecido por legisladores em comparação a outras plataformas globais.
Opinião
A decisão da ANPD reflete a necessidade de um equilíbrio entre inovação tecnológica e a proteção de grupos vulneráveis, como crianças e adolescentes, em um ambiente digital cada vez mais complexo.

