Tecnologia

André Cruz alerta: IA pode manipular e afetar identidade individual no futuro

André Cruz alerta: IA pode manipular e afetar identidade individual no futuro

A inteligência artificial (IA) avança em um ritmo que o cérebro humano, do ponto de vista fisiológico, não consegue acompanhar. Essa é a avaliação de André Cruz, CEO da Neura e especialista em neurociência e comportamento, ao Podcast Canaltech desta sexta-feira (8 de setembro de 2023). Cruz aponta riscos ainda subestimados dos impactos da IA sobre memória, atenção e comportamento.

O especialista afirma: “O cérebro está bugando”. Segundo ele, nunca houve tantos casos de burnout e incertezas sobre o que fazer. O excesso de conexão, informação e interações simultâneas gera uma demanda contínua por dopamina que o organismo ainda não aprendeu a regular. Entre os efeitos imediatos, ele destaca o déficit de atenção e a chamada “superficialidade cognitiva”, onde o cérebro para de processar informações com profundidade.

Riscos e o futuro da identidade

A memória de longo prazo também é afetada, pois o acesso fácil a respostas reduz a necessidade biológica de retenção. Cruz alerta que, no futuro, há riscos de manipulação cognitiva e erosão da identidade individual em cenários de dependência excessiva da tecnologia. No plano social, a expansão das interações com IA pode impactar a empatia e o senso de pertencimento, aspectos fundamentais na formação humana.

Educação em IA e o papel da China

A China decidiu não esperar pelo debate e, a partir de setembro de 2025, tornou obrigatório o ensino de IA nas escolas primárias e secundárias, com um mínimo de oito horas anuais para alunos a partir dos seis anos. Cruz vê essa decisão como uma resposta ao que considera inevitável: “uma criança com essa educação entende que aquilo faz parte do seu dia a dia”.

Desafios no ambiente corporativo

No ambiente corporativo, o medo de perder o emprego para a IA deve ser substituído por uma cultura organizacional que posicione a tecnologia como ferramenta de apoio, não como substituta. Cruz defende que “não é a IA tirando o humano, mas é o humano trazendo o melhor dele, com a possibilidade do uso de IA”.

Interfaces cérebro-computador e neuroplasticidade

O especialista é favorável às interfaces cérebro-computador, como as desenvolvidas pela Neuralink, de Elon Musk. Para ele, essa tecnologia representa uma oportunidade real de restaurar capacidades físicas e ampliar o potencial humano. No entanto, ele alerta para o risco de acesso desigual: quanto maior o custo, maior a distância entre quem pode e quem não pode se beneficiar.

A neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de criar novas conexões e hábitos, será o mecanismo que determinará como a humanidade atravessa essa transição. “O cérebro vai se adaptar a isso”, afirma Cruz, ressaltando que o que está em aberto é o ritmo e o custo dessa adaptação.

Opinião

A discussão sobre os impactos da IA é essencial para moldar um futuro onde a tecnologia e a identidade humana possam coexistir de forma saudável.