Na cerimônia de posse realizada em 7 de outubro de 2023, o novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, fez um discurso contundente no Batalhão Pichincha, em Cali, onde ordenou um ‘combate definitivo’ contra grupos criminosos. O evento, marcado por uma forte presença militar, foi uma clara demonstração da nova postura do governo ultradireitista frente à segurança pública.
Em seu discurso, Espriella prometeu ‘todas as garantias jurídicas’ para as forças militares e policiais, assegurando que eles não seriam perseguidos pelo cumprimento de seus deveres. “Ordeno às forças militares e policiais o combate definitivo a todas as estruturas criminosas e seus membros”, afirmou, deixando claro que sua administração não tolerará mais negociações com grupos armados.
Fim das Negociações e Revisão da Jurisdição
O novo presidente também anunciou o fim das negociações com grupos armados e a intenção de revisar a Jurisdição Especial para a Paz, criada após o acordo de paz de 2016 com as Farcs. Ele enfatizou que o Estado não pode ser cúmplice do crime e que sua administração será ‘certeira e contundente’ contra a criminalidade.
Além disso, Espriella abordou a necessidade de construir megaprisões e retomar a fumigação aérea em plantações de coca, afirmando que a segurança deve ser construída com autoridade e constância, não com concessões ao crime.
Protestos e Reações da Oposição
Enquanto a cerimônia acontecia, o Pacto Histórico, partido do ex-presidente Gustavo Petro, organizava protestos em resposta ao novo governo. O ex-deputado Iván Cepeda, apadrinhado de Petro, convocou a população para uma desobediência civil e anunciou a criação do ‘Gabinete pela Vida’, que contestará as políticas de Espriella.
Em Bogotá, Petro deixou a Casa de Nariño acompanhado de sua filha e membros de seu gabinete, afirmando: “Tudo que fizemos aqui foi pelo povo”.
Cerimônia Religiosa e Presenças Notáveis
A posse de Espriella foi marcada por uma forte carga religiosa, com a presença de uma escultura da Virgem de Fátima e a realização de orações por um rabino, um pastor e um padre. O novo presidente também fez referências a Deus e à necessidade de restaurar valores familiares e de disciplina.
Entre os presentes estavam líderes de direita da região, como José Antonio Kast (Chile), Javier Milei (Argentina) e Santiago Peña (Paraguai). A ausência do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva foi notada, que enviou seu chanceler, Mauro Vieira.
Opinião
A posse de Espriella e suas promessas de combate à criminalidade revelam uma nova era na política colombiana, marcada por tensões entre governo e oposição, além de uma abordagem rigorosa em relação à segurança pública.





