O ex-presidente do Banco Central (BC), Gustavo Loyola, fez uma previsão alarmante: os juros no Brasil devem permanecer em dois dígitos até, pelo menos, 2028. A declaração foi feita durante um episódio do videocast Stock Pickers, publicado em 1 de outubro de 2023, onde conversou com o apresentador Lucas Collazo.
Pressão das contas públicas
De acordo com Loyola, a situação das contas públicas e o crescimento do endividamento do Estado estão pressionando a política monetária. Ele destaca que essa realidade reduz o espaço para cortes na taxa Selic e pode aumentar o custo da dívida pública, criando um ciclo vicioso.
Bola de neve da dívida pública
O economista explica que os juros altos alimentam a bola de neve da dívida, já que não há contrapartida no controle do resultado primário. Isso leva a um aumento no prêmio de risco, fazendo com que o mercado exija juros ainda maiores, perpetuando o problema.
Banco Central sem apoio fiscal
Loyola também destaca que o Banco Central enfrenta uma pressão crescente sem o devido apoio fiscal. Ele afirma que a falta de engajamento político para solucionar os problemas fiscais é preocupante e pode agravar a situação. “Uma andorinha só não faz verão; o Banco Central sozinho não consegue segurar o tranco”, alerta.
Meta de inflação e perspectiva de juros
A meta de inflação estabelecida em 3% e o atual cenário inflacionário global, somados ao comportamento do câmbio, afastam a possibilidade de um alívio rápido nas taxas de juros. Loyola acredita que mesmo com uma desaceleração da atividade econômica, os juros devem permanecer elevados devido ao avanço do prêmio de risco.
Falta de engajamento político
Por fim, o ex-presidente do BC expressa sua preocupação com a falta de engajamento da classe política nas questões fiscais. Ele considera que essa visão de que as restrições orçamentárias são secundárias pode dificultar a aprovação de reformas necessárias, colocando o país em uma trajetória perigosa.
Opinião
A análise de Gustavo Loyola traz à tona a urgência de um diálogo mais eficaz entre a política e a economia, essencial para evitar uma crise financeira no Brasil.





