IBGE avalia uma mudança profunda na forma como mede a riqueza do país, considerando a inclusão de atividades ilícitas como o tráfico de drogas, contrabando e jogos de azar no cálculo do PIB. A medida segue orientações de organismos internacionais e manuais da ONU.
O objetivo é padronizar as estatísticas nacionais e oferecer um retrato mais fiel da circulação de dinheiro no mercado brasileiro. A iniciativa não é uma decisão isolada do Brasil, mas uma resposta a recomendações globais contidas no manual System of National Accounts 2025, adotado pela Comissão de Estatística da ONU.
Atividades consideradas
Organismos como o FMI e o Banco Mundial argumentam que, embora ilegais, essas transações envolvem mercadorias e dinheiro que circulam na economia real. Se um país ignora esses valores e outro os contabiliza, os dados comparativos ficam distorcidos. Assim, a inclusão busca eliminar inconsistências estatísticas e mostrar o tamanho real da produção e do consumo, independentemente da legalidade.
O planejamento metodológico do IBGE cita explicitamente a comercialização de entorpecentes, o contrabando de produtos e os jogos de azar. A ideia é seguir o que já acontece na União Europeia desde 2014, onde o tráfico de drogas e a prostituição são obrigatoriamente contabilizados.
Impacto na economia
Na prática, a inclusão de novos dados tende a elevar o valor total do PIB, o que funciona como uma mudança na régua de medir o país. Um PIB maior ajuda a diminuir indicadores que são calculados como porcentagem da economia. Por exemplo, se a riqueza total aumenta, a dívida pública e os gastos do governo parecem menores proporcionalmente, mesmo que os valores em dinheiro continuem iguais.
Especialistas explicam que isso não cria riqueza nova nem melhora a vida da população automaticamente, mas altera a percepção estatística sobre a carga tributária e o endividamento do Estado brasileiro.
Próximos passos
O processo de revisão das contas nacionais é uma tarefa de longo prazo e a divulgação da nova série metodológica está prevista apenas para 2028. O IBGE esclareceu que a adoção dessas recomendações não ocorre de forma automática e passa por avaliações periódicas para se adaptar à realidade local.
Enquanto isso, o órgão analisa a incorporação de novas fontes de dados e pesquisas estruturais anuais. É importante notar que revisões anteriores, como as de 2007 e 2015, já resultaram em aumentos expressivos no nível do PIB nominal devido a atualizações na base de dados e novas classificações.
Opinião
A inclusão de atividades ilícitas no cálculo do PIB levanta questões sobre a real representação da economia e os impactos sociais dessa decisão.





