Com o desenvolvimento do mercado de carbono nacional, as empresas do setor de energia estão cada vez mais atentas à comercialização de créditos de carbono como uma extensão de seus negócios. Essa evolução é impulsionada pelo fato de que as fontes renováveis representam cerca de 85% da matriz elétrica brasileira, permitindo que as reduções de emissões de carbono se convertam em créditos.
A Auren Energia, por exemplo, criou uma área dedicada à estratégia de créditos de carbono em 2022 e já vendeu 8 milhões de créditos a clientes de mais de 20 países. A maioria desses clientes são empresas que buscam neutralizar suas emissões. A companhia também lançou o Carbonless, um comércio eletrônico para pequenas empresas e indivíduos que desejam zerar sua pegada de carbono. Eduardo Diniz, diretor de comercialização da Auren, destaca que a estratégia visa se tornar um “one-stop-shop” para clientes de energia.
A Axia Energia e seu papel no mercado
A Axia Energia também se destaca, tendo comercializado mais de 12 milhões de créditos entre 2013 e 2026. A empresa está se preparando para o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), que estabelecerá limites de emissão e permitirá a negociação de ativos. Cecília Essinger, gerente-executiva da Axia, afirma que a companhia quer alcançar tanto empresas iniciantes quanto grandes emissoras com alta demanda de crédito.
Projetos significativos de Engie e EDP
A Engie atua no mercado de carbono desde 2004, com 14 projetos que geram créditos pela redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE). Esses projetos, que incluem energia eólica, solar e hidrelétrica, resultaram em cerca de 6,5 milhões de toneladas de CO2 evitadas até 2020. O Parque Eólico Monte Verde, da EDP, no Rio Grande do Norte, se tornou o primeiro projeto do grupo a ser certificado para emitir créditos, evitando a emissão de 533 mil toneladas de CO2 anualmente.
Tecnologias de captura de CO2 ganham destaque
Outra frente que se destaca são as tecnologias de captura, transporte, utilização e armazenamento de CO2, conhecidas como CCS e CCUS. O Decreto nº 13.095/2026, publicado em agosto, reconhece o CCS como atividade de redução de GEE. A Petrobras informou que armazenou 86 milhões de toneladas de CO2 em sistemas de CCUS do pré-sal entre 2008 e 2025. O projeto piloto Cabiúnas-São Tomé deverá capturar até 100 mil toneladas anuais a partir de 2028.
Opinião
O mercado de créditos de carbono está em franca expansão e as empresas brasileiras estão se adaptando para atender a essa demanda crescente, o que pode trazer benefícios significativos para a sustentabilidade e a redução de emissões no país.





