A recente pesquisa do Datafolha revelou que a avaliação negativa do trabalho dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) subiu para 47%, atingindo seu maior índice desde o início da série histórica em 2019. O levantamento foi realizado entre os dias 22 e 24 de outubro e entrevistou 2.002 eleitores em todo o Brasil, com uma margem de erro de 2 pontos percentuais.
A avaliação positiva do STF, por outro lado, permanece em apenas 18%, o mesmo nível mais baixo registrado em dezembro de 2019. O estudo também mostra que 31% dos entrevistados consideram o trabalho da corte regular, enquanto 4% não opinaram.
Percepções sobre o trabalho do STF
Entre os eleitores do PT, apenas 32% avaliam o trabalho dos ministros como ótimo ou bom, em contraste com apenas 6% dos apoiadores de Flávio Bolsonaro do PL. A avaliação negativa é ainda mais acentuada entre os eleitores de Bolsonaro, com 69% considerando o trabalho ruim ou péssimo, enquanto 24% dos eleitores de Lula compartilham dessa visão.
Além disso, a pesquisa questionou os eleitores sobre a aceitabilidade de diversas condutas dos ministros do STF. A prática mais rejeitada foi a de um ministro julgar processos de um parente, considerada inaceitável por 88% dos entrevistados. Outras condutas, como aceitar convites para eventos pagos por empresas com ações no tribunal e tomar decisões que afetem candidatos durante o período eleitoral, também foram amplamente desaprovadas, com 85% e 82% de rejeição, respectivamente.
Código de ética e polêmicas
O levantamento do Datafolha também revelou que 45% dos brasileiros apoiam a criação de um código de ética para ministros do STF, enquanto 33% se opõem à ideia. A proposta visa enfrentar conflitos de interesse e aumentar a transparência na atuação da corte, uma bandeira defendida pelo ministro Edson Fachin.
O contexto atual é marcado por investigações de ligações de ministros do STF com o escândalo do Banco Master, que se intensificaram após revelações sobre o resort Tayayá e contratos milionários envolvendo a esposa do ministro Alexandre de Moraes. 77% dos entrevistados estão cientes dessas suspeitas, e 68% acreditam que há envolvimento de ministros no caso.
Impacto político
Para 33% dos brasileiros, a atuação do STF prejudica mais a candidatura de Flávio Bolsonaro do que a beneficia. Em contrapartida, 23% afirmam que a atuação do STF prejudica mais o presidente Lula.
Opinião
A crescente insatisfação com o STF reflete um cenário de desconfiança e expectativas não atendidas, exigindo uma resposta rápida e eficaz da corte para restaurar a credibilidade perante a população.





