Um novo alerta da Defesa Civil de Santa Catarina, publicado em 22 de setembro, prevê ondas de até 3 metros no litoral catarinense, podendo chegar a valores ainda maiores mar adentro. Um dia antes, um raro tsunami meteorológico já havia deixado estragos em cidades do Sul catarinense.
Ventos com rajadas entre 50 km/h e 70 km/h devem manter o mar agitado, formando ondas de 2,0 a 3,0 metros. Segundo a Defesa Civil, o nível de risco para ressaca e mar agitado é moderado. Pescadores, banhistas e praticantes de esportes aquáticos devem evitar o mar enquanto durar o aviso. A Defesa Civil também recomenda evitar a navegação e a pesca, além de redobrar a atenção ao caminhar ou pedalar pela orla, pois as ondas podem invadir trechos da ciclovia.
Estragos na Praia do Cardoso
Na madrugada de segunda-feira (21), a Praia do Cardoso, em Laguna, foi tomada por um avanço súbito do mar. Móveis foram derrubados, uma porta de vidro de restaurante se quebrou e embarcações de pescadores locais acabaram arrastadas pela força da água. Segundo relato divulgado pelo Bom Dia Santa Catarina, o mar recuou bruscamente segundos antes de a onda atingir a orla.
Municípios afetados
Três municípios sofreram os efeitos mais visíveis do fenômeno: Jaguaruna, Laguna e Imbituba, com ruas alagadas, areia espalhada pelas cidades e barcos arrastados pela correnteza. Até o momento, a Defesa Civil catarinense não contabilizou vítimas, embora equipes municipais sigam levantando os prejuízos causados pela água.
Fenômeno raro confirmado
O meteorologista Caio Guerra confirmou o episódio em nota da Defesa Civil, relacionando-o a uma linha de instabilidade — uma faixa de tempestades que costuma trazer mudanças bruscas na pressão do ar. Ventos entre 60 km/h e 90 km/h atuaram no momento em que a onda avançou sobre a orla.
O que é um meteotsunami?
O mecanismo por trás do meteotsunami envolve nuvens carregadas e rajadas fortes que se deslocam rapidamente sobre o oceano, formando pulsos de pressão capazes de gerar pequenas oscilações na superfície da água. A onda cresce quando a velocidade e a direção dessa força atmosférica se alinham ao movimento natural do mar, provocando uma inundação repentina perto da praia.
Tempestades na região Sul
O mesmo sistema meteorológico que gerou o tsunami em Santa Catarina atingiu o Rio Grande do Sul e o Paraná com temporais, vendavais e granizo. No Litoral Norte gaúcho, cidades como Capão da Canoa sofreram rajadas superiores a 100 km/h, com destelhamentos e falhas no fornecimento de energia. Já na Serrana Gaúcha, Caxias do Sul e a região vizinha registraram alagamentos, enxurradas e quedas de árvores.
Opinião
O fenômeno do meteotsunami reforça a necessidade de monitoramento constante das condições climáticas na região, visando a segurança da população.





