O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou um aumento de 15,04% no valor do Bolsa Família, que visa preservar o eleitorado já alinhado ao petista. O novo piso do programa passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio subirá para R$ 777. Os pagamentos começam em 19 de outubro, a apenas seis dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Impactos financeiros e defesas de Lula
Segundo o governo, o reajuste recompõe a inflação acumulada desde a reformulação do programa em 2023. O impacto financeiro estimado é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22,7 bilhões em 2027, conforme dados do Ministério do Planejamento. Após o anúncio, Lula defendeu a medida como uma proteção aos beneficiários, afirmando que o governo está “cuidando de quem precisa” e relacionando a atualização ao combate à fome e à redução da pobreza.
Críticas e reações da oposição
O aumento, no entanto, não passou sem controvérsias. O candidato à presidência Flávio Bolsonaro, do PL, criticou o reajuste, chamando-o de “merreca” e acusando Lula de tentar “comprar o voto do pobre”. Flávio, que também se comprometeu a manter o Bolsa Família em caso de vitória, procurou diferenciar sua posição da do deputado Zé Trovão (PL-SC), que acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o aumento, mas teve sua representação extinta pelo ministro André Mendonça.
Perspectivas eleitorais e análises
Especialistas acreditam que o impacto eleitoral do aumento será limitado. O fundador do Instituto Ideia, Maurício Moura, afirmou que o programa atinge um eleitorado majoritariamente favorável a Lula, o que significa que a medida tende mais a preservar a base do presidente do que conquistar novos eleitores. O economista Maurício Canêdo Pinheiro também avaliou que, apesar de o ajuste ser percebido como um ganho pelos beneficiários, não necessariamente resultará em uma grande transferência de votos.
Pesquisas recentes e mudanças de estratégia
Pesquisas recentes mostram que Lula mantém 51% das intenções de voto entre eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, enquanto Flávio passou de 29% para 32%. No Nordeste, Lula tem 60% das intenções de voto entre os beneficiários do Bolsa Família. O professor de Ciência Política da USP, Sérgio Simoni Jr., comentou que o anúncio do reajuste representa uma mudança de estratégia do governo, que anteriormente focava em uma agenda de ajuste fiscal.
Opinião
A decisão de aumentar o Bolsa Família pode ser vista como uma tentativa do governo de reforçar sua base eleitoral em um momento crítico, mas as críticas e a polarização política podem limitar seus efeitos positivos.





