Política

Daniel Vorcaro revela pagamentos a servidores do BC e viagens de luxo em investigação

Daniel Vorcaro revela pagamentos a servidores do BC e viagens de luxo em investigação

A Polícia Federal divulgou nesta sexta-feira (11) relatórios que revelam uma relação suspeita entre Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e dois altos funcionários do Banco Central (BC): Paulo Sérgio Neves de Souza, então chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), e Belline Santana, chefe do departamento. A investigação aponta que ambos prestavam uma espécie de consultoria informal a Vorcaro, oferecendo orientações sobre assuntos de interesse do banco e revisão de documentos.

Grupo de WhatsApp e pagamentos disfarçados

Os três mantinham um grupo de WhatsApp chamado “Master”, criado em outubro de 2025, para facilitar a comunicação. A PF identificou pagamentos de até R$ 760 mil mensais feitos por Vorcaro a Belline, que teriam sido disfarçados por meio de um contrato de prestação de serviços. A investigação sugere que esse contrato foi utilizado para dar uma aparência regular aos repasses financeiros.

Despesas de viagens e informações privilegiadas

Além dos pagamentos, a PF também encontrou registros de despesas bancadas por Vorcaro durante uma viagem de Belline a Paris, incluindo almoço, jantar e um guia. Em fevereiro de 2024, Vorcaro ainda encaminhou um roteiro de viagem à Disney para Paulo Sérgio, que confirmou ter recebido ajuda do banqueiro.

Consultoria e favores em troca de informações

Os investigadores classificam a atuação de Paulo Sérgio como uma consultoria ao controlador do Master, evidenciada por mensagens nas quais Vorcaro reconhece o apoio recebido, referindo-se a ele como “um anjo na vida”. Além disso, Paulo Sérgio antecipava a Vorcaro informações sobre reuniões no BC, reforçando a suspeita de conluio entre eles.

Opinião

A investigação da PF sobre Daniel Vorcaro e seus vínculos com servidores do BC levanta questões sérias sobre a ética e a transparência nas relações entre o setor financeiro e as instituições reguladoras.