O deputado federal Mario Frias (PL-SP) está no centro de uma investigação da Polícia Federal (PF) após a emenda de R$ 1 milhão que ele destinou ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) não ter sido executada conforme o previsto. A operação, denominada Make Up, foi deflagrada em 10 de outubro de 2023 e resultou em 49 mandados de busca e apreensão cumpridos em quatro estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
Objetivos da investigação
A investigação visa apurar suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. A decisão judicial que autorizou a operação foi proferida pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a ação, Mario Frias teve sua residência alvo de busca, com a apreensão de equipamentos eletrônicos.
Projeto Jovem Empreendedor
O projeto Jovem Empreendedor, que foi parte da emenda de R$ 1 milhão, tinha como objetivo capacitar 250 multiplicadores e atender 2.250 estudantes na região de Pirassununga, interior de São Paulo. Contudo, a Controladoria-Geral da União (CGU) constatou que as metas estabelecidas não foram cumpridas, levando à rejeição da prestação de contas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Transferências suspeitas
A investigação também revelou uma complexa cadeia de transferências entre empresas ligadas ao ICB e à produtora Go Up Entertainment, que é responsável pelo filme Dark Horse. Embora não tenha sido comprovado que os valores transferidos à produtora tenham origem direta nas emendas, foi identificada uma transferência de R$ 645,4 mil feita por Mario Frias à Go Up durante a produção do filme, o que levanta questionamentos sobre a compatibilidade desses repasses com os rendimentos declarados pelo deputado, que tem um salário mensal de R$ 44.008,52.
Decisões judiciais e reações
Além de ser alvo da operação, Mario Frias foi proibido de deixar o país por Flávio Dino e está impedido de se comunicar com outros investigados no inquérito. Em resposta às acusações, o deputado defendeu-se em vídeo, afirmando que a investigação é uma tentativa de deslegitimar seu trabalho e criticou a operação como uma “cortina de fumaça” em ano eleitoral.
Opinião
A situação de Mario Frias levanta questões sobre a transparência e fiscalização do uso de emendas parlamentares, especialmente em projetos que visam o desenvolvimento social e educacional.





