A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou dados preocupantes sobre o setor industrial. O faturamento da indústria de transformação recuou 2% em julho de 2026, em comparação com o mês anterior. Essa queda é atribuída ao desaquecimento da produção, que ocorre em meio a juros elevados e um endividamento recorde das famílias.
Em um contexto mais amplo, a pesquisa da CNI mostra que, no acumulado de janeiro a julho de 2026, o faturamento apresenta uma queda de 0,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar disso, as horas trabalhadas na produção cresceram 0,2% e a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) aumentou ligeiramente, passando de 77,3% para 77,4%.
Desafios do Setor e Endividamento das Famílias
Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, destacou que a situação do faturamento é preocupante, afirmando que a elevação da taxa de juros e o endividamento das famílias diminuem a demanda por bens industriais. O emprego industrial também avançou apenas 0,2% em julho, acumulando uma queda de 0,6% no ano.
Outro dado alarmante é que o endividamento das famílias atingiu 82% em agosto de 2026, enquanto a inadimplência chegou a 29,9%. Esses números refletem uma pressão financeira crescente, especialmente entre os consumidores de menor renda. Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, 85,1% relataram ter dívidas, e 38,8% estavam com contas em atraso, um aumento em relação ao mês anterior.
Impactos e Perspectivas
O percentual geral de famílias endividadas permanece em um nível recorde, superando os 78,8% registrados em agosto de 2025. A inadimplência geral também avançou 0,1 ponto percentual, enquanto a parcela de famílias que afirmam não ter condições de pagar contas atrasadas atingiu 12,5%, o maior nível desde fevereiro. O grupo que se considera “muito endividado” chegou a 17,4%.
Opinião
A situação econômica se torna cada vez mais crítica, e a pressão sobre as famílias pode impactar ainda mais o desempenho da indústria nos próximos meses.





