Economia

Campo Grande perde 140 empregos formais em julho, apesar de reajuste salarial

Campo Grande perde 140 empregos formais em julho, apesar de reajuste salarial

Os trabalhadores do Centro-Oeste conquistaram, em média, reajustes salariais acima da inflação nos primeiros sete meses de 2026. No entanto, o mercado de trabalho de Campo Grande começou a mostrar sinais de perda de ritmo. Enquanto a região registrou um ganho real médio de 1,73% nas negociações coletivas, o maior do país, a Capital terminou julho com 140 empregos formais a menos, segundo dados do Caged.

O levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revela que 88,4% das negociações salariais do Centro-Oeste superaram a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre janeiro e julho. Outros 7,4% apenas repuseram as perdas inflacionárias, enquanto 4,2% ficaram abaixo do índice. Esses dados são baseados em acordos e convenções coletivas registrados no sistema Mediador, do Ministério do Trabalho e Emprego, até 10 de agosto.

O resultado da região superou a média brasileira, que teve ganho real de 1,48% no período. No Sudeste, a média foi de 1,54%; no Nordeste, 1,47%; no Norte, 1,37%; e no Sul, 1,35%. Apesar do avanço dos salários, a contratação formal perdeu velocidade em Campo Grande, que registrou 12.159 admissões e 12.299 desligamentos em julho, resultando em um saldo negativo de 140 postos. Este foi o primeiro mês do ano em que o saldo ficou no vermelho.

Ainda assim, Campo Grande acumulou 3.401 novos empregos formais entre janeiro e julho. O ganho acima da inflação melhora o poder de compra de quem está incluído nas negociações coletivas, mas os dados do Dieese mostram que o valor dos pisos negociados no Centro-Oeste continua entre os menores do país. O piso salarial médio negociado na região foi de R$ 1.831, enquanto o piso mediano ficou em R$ 1.709. Isso significa que metade dos pisos analisados ficou abaixo de R$ 1.709. Em comparação, no Sul, onde foram registrados os maiores valores, a média chegou a R$ 2.033, com mediana de R$ 1.975.

No Brasil, os valores foram de R$ 1.938 e R$ 1.800, respectivamente. O resultado ajuda a explicar por que um reajuste acima da inflação não necessariamente representa uma grande mudança no salário recebido pelo trabalhador. O ganho real é calculado sobre o valor que já era pago, enquanto o piso negociado estabelece um patamar mínimo para os trabalhadores abrangidos pelo acordo ou convenção. O estudo do Dieese não inclui servidores estatutários nem trabalhadores informais, considerando apenas trabalhadores celetistas do setor privado e de empresas estatais.

O cenário em Campo Grande contrasta com o desempenho de Mato Grosso do Sul como um todo. O estado abriu 730 empregos formais em julho e acumulou 19.258 novas vagas entre janeiro e julho, com um estoque de 684.147 vínculos. A diferença entre os resultados municipais e estaduais também aparece na distribuição por setores. Em Campo Grande, a indústria foi responsável pela maior perda de vagas em julho, com saldo negativo de 100 postos. A agropecuária perdeu 28 e os serviços, principal setor empregador da Capital, fecharam o mês com 13 vagas a menos.

A construção civil teve saldo negativo de três postos, enquanto o comércio foi o único dos cinco grandes setores com resultado positivo, abrindo apenas quatro vagas. No estado, o cenário foi diferente: a construção civil liderou a criação de empregos em julho, com 1.188 novas vagas, seguida pelos serviços, com 391. A indústria geral, por outro lado, perdeu 556 postos, enquanto a agropecuária teve saldo negativo de 213.

Os números mostram um mercado de trabalho com movimentos diferentes: as negociações coletivas seguem garantindo ganhos acima da inflação para grande parte dos trabalhadores, mas a geração de novas vagas perdeu força na Capital. O próprio Dieese identificou uma desaceleração nos reajustes em julho, com 82,5% dos 171 acordos e convenções analisados tendo ganho acima do INPC, o menor percentual observado em uma data-base de 2026 até então. O ganho real médio também caiu pelo quarto mês consecutivo, chegando a 1,10%.

Opinião

A situação em Campo Grande revela um paradoxo: enquanto os salários aumentam, a geração de empregos enfrenta desafios, o que pode impactar a economia local a longo prazo.