Economia

Empresas brasileiras ajustam sistemas contábeis para nova reforma tributária e temem prazos

Empresas brasileiras ajustam sistemas contábeis para nova reforma tributária e temem prazos

Companhias de todos os portes em dez cidades brasileiras estão acelerando a adaptação de seus sistemas contábeis e fiscais em agosto de 2026. Essa corrida se deve à nova reforma tributária, que exige a emissão de notas fiscais com novos campos de impostos. O objetivo é garantir que as operações estejam prontas para as mudanças definitivas que começam em 1º de janeiro de 2027.

Novos campos nas notas fiscais

Desde o início de agosto, as empresas começaram a incluir nas notas fiscais eletrônicas os campos destinados ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Embora neste momento de 2026 o destaque seja simbólico e funcione como um período de testes, essa alteração exige que os estabelecimentos revisem milhares de cadastros de produtos e regras de cálculo.

Desafios da adaptação

A adaptação é considerada um processo demorado, podendo levar de três meses a um ano. Especialistas apontam que a reforma tributária exige uma revisão profunda que vai muito além da contabilidade, atingindo o caixa das lojas, o cadastro de fornecedores e até a formação dos preços dos produtos. Grandes empresas utilizam sistemas complexos que precisam ser totalmente parametrizados, enquanto pequenos negócios dependem de softwares de terceiros.

Postura da Receita Federal

A Receita Federal definiu o ano de 2026 como um marco para aprendizado e ajustes tecnológicos. Segundo a Receita, não haverá aplicação de multas ou penalidades para os empresários que demonstrarem que estão avançando gradualmente na preparação. O foco das autoridades é o dia 1º de janeiro de 2027, quando termina o recolhimento do PIS e da Cofins e começa a cobrança efetiva da CBS e do chamado Imposto Seletivo, que incidirá sobre produtos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

Riscos de procrastinação

O maior perigo de deixar as mudanças para a última hora é a necessidade de tomar decisões estratégicas complexas sob pressão no fim de 2026, o que pode gerar erros na análise de impacto financeiro nos negócios. Existe também uma preocupação sistêmica: a preparação não depende apenas de uma empresa isolada, mas de toda a cadeia produtiva. Se uma parte da rede falhar na transição tecnológica, toda a operação comercial pode ser prejudicada.

Opinião

A adaptação à nova reforma tributária é um desafio significativo, e as empresas precisam agir rapidamente para evitar complicações futuras.