A chegada das montadoras chinesas ao mercado brasileiro deixou de se concentrar apenas na importação de veículos e começa a ganhar espaço também na produção nacional. Atualmente, 15 marcas chinesas operam no Brasil, e empresas como BYD, GWM e Caoa Chery já possuem fábricas próprias no país, utilizando estruturas que pertenciam a montadoras tradicionais.
Fábricas e produção local
A BYD iniciou a produção de veículos eletrificados em Camaçari (BA), onde anteriormente funcionava a fábrica da Ford, em 2025. A GWM assumiu a fábrica de Iracemápolis (SP), que pertenceu à Mercedes-Benz, e começou a produzir veículos em 2025. A Caoa Chery já produz em Anápolis (GO) desde 2017, enquanto a Changan iniciou a fabricação do modelo UNI-T em 2026.
Estratégias das montadoras chinesas
Essas montadoras estão aproveitando a infraestrutura industrial existente para acelerar a fabricação local, evitando o longo processo de construção de novas fábricas. Segundo Ingridhe de Moraes Magalhães, professora de economia da PUC-PR, essa estratégia reduz riscos ao permitir que as empresas comecem montando veículos a partir de kits importados e aumentem gradualmente a produção local conforme a demanda.
Incentivos fiscais e desafios
O programa federal Mover (Mobilidade Verde e Inovação) prevê R$ 19,3 bilhões em créditos financeiros entre 2024 e 2028, favorecendo o crescimento das marcas chinesas. Além disso, a elevação do imposto de importação para veículos eletrificados pode chegar a 35%, tornando a produção local essencial para a competitividade das montadoras.
O futuro das montadoras chinesas no Brasil
Com a transição da montagem de veículos semidesmontados para uma produção mais completa, como a BYD prevê concluir em 2027, a nacionalização se torna fundamental para a sustentabilidade das operações. A adaptação dos produtos às características do consumidor brasileiro, como a utilização de etanol, será crucial para o sucesso das montadoras.
Opinião
O avanço das montadoras chinesas no Brasil representa uma mudança significativa no mercado automotivo, e será interessante observar como elas se adaptarão às demandas locais e quais delas conseguirão se consolidar no país.





