Dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil, sete são proibidos na União Europeia (UE), revelando uma situação alarmante de colonialismo químico. Essa constatação foi feita pela geógrafa Larissa Mies Bombardi, pesquisadora do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD) na França, durante a SBPC na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, no dia 31 de outubro de 2023.
Impactos dos agrotóxicos
Larissa, que estuda o uso de agrotóxicos há mais de 15 anos, alerta sobre os impactos nocivos desses produtos à saúde humana e animal e ao meio ambiente. Ela explica que muitos desses agrotóxicos são proibidos na UE por serem cancerígenos ou por causarem malformações fetais e outros distúrbios hormonais.
Dados alarmantes
Em 2023, foram exportadas para o Brasil 3 mil toneladas de pesticidas proibidos na UE, superando a soma dos três próximos países, Ucrânia, Estados Unidos e Rússia, que totalizam 2,6 mil toneladas. Essa realidade é um reflexo do domínio do mercado de agrotóxicos por quatro grandes empresas: Basf, Bayer, Corteva e Sinochem.
Declínio da biodiversidade
A pesquisadora também destacou que, entre 2009 e 2019, houve um declínio de 41% no número de insetos no mundo, com as borboletas apresentando uma queda ainda mais acentuada de 53%. Esses dados fazem parte do estudo Atlas dos Pesticidas 2022, da Heinrich-Böll-Stiftung, que vincula o uso de agrotóxicos à diminuição da biodiversidade.
Legislação e regulamentação
A Lei 14.785, conhecida como Lei dos Agrotóxicos, entrou em vigor em 2023, estabelecendo critérios para o uso de defensivos agrícolas no Brasil. A legislação exige que os registros sejam feitos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), com avaliação toxicológica pela Anvisa e avaliação ambiental pelo Ibama.
Opinião
A situação dos agrotóxicos no Brasil exige uma reflexão urgente sobre a saúde pública e a proteção ambiental, ressaltando a necessidade de uma regulamentação mais rigorosa.





