O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, em setembro de 2026, o fim da chamada ‘taxa das blusinhas’, o que deve acelerar a migração de fábricas brasileiras para o Paraguai. A previsão é do diretor-executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), Edmundo Lima, que alerta para a pressão crescente sobre as empresas nacionais, o que pode resultar em perda de empregos e redução de investimentos no setor de moda.
A suspensão do imposto de 20% sobre produtos importados de até US$ 50 ocorre em um momento de alta desaprovação do governo, especialmente às vésperas da eleição de outubro, onde Lula tentará um quarto mandato. Lima destaca que cerca de 200 indústrias brasileiras já abriram unidades no Paraguai, e muitas outras devem seguir o mesmo caminho, principalmente aquelas localizadas nas regiões Sul e Sudeste, mais próximas da fronteira.
De acordo com o executivo, operar no Paraguai pode reduzir os custos das empresas em cerca de 30%. Entre as companhias que já se instalaram no país vizinho está a Lupo, que investiu R$ 30 milhões em uma nova fábrica em Ciudad del Este, além da catarinense Karsten, que inaugurou uma unidade em Guazú.
A Abvtex também prevê uma queda na arrecadação de impostos, uma vez que a diminuição nas vendas das lojas brasileiras impacta diretamente os tributos recolhidos. A atividade econômica do setor de vestuário já apresenta uma retração de 8,2% em julho de 2026 em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Essa situação coloca em risco mais de 800 mil empregos diretos no setor, que emprega atualmente 2,3 milhões de trabalhadores entre indústria e varejo.
Com a combinação de menor consumo e aumento da concorrência estrangeira, as principais datas comerciais, como Black Friday e Natal, poderão ser severamente afetadas. A Abvtex planeja pressionar o governo e o Congresso pela revisão da medida, que está prevista para durar três meses. Essa pressão se junta aos protestos da Confederação Nacional do Comércio de bens, Serviços e Turismo (CNC), que estima um risco de perda de cerca de 100 mil empregos no varejo nacional.
Opinião
A situação do setor têxtil brasileiro é alarmante, e a migração para o Paraguai pode ser um reflexo da falta de condições adequadas para a indústria no Brasil. A necessidade de um debate sério sobre a carga tributária e os custos operacionais é urgente para evitar a desindustrialização do país.





