A proibição imposta pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao presidente da Argentina, Javier Milei, de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), consagra a imagem autoritária da Corte no exterior. A decisão ocorreu em 16 de julho de 2026, um dia antes de Moraes analisar o pedido de autorização para o encontro, que seria durante a convenção do PL em 25 de julho de 2026.
A proibição de Moraes foi motivada pela alegação de que a visita de Milei poderia afetar o processo eleitoral. Bolsonaro já estava sob restrições, proibido de ver seu filho Flávio Bolsonaro por 90 dias, e a decisão de Moraes endureceu ainda mais essas limitações, barrando todas as visitas, exceto de advogados e profissionais de saúde.
Essa decisão gerou reações negativas, com críticos apontando que o STF está se tornando um tribunal político a serviço do governo. A professora de Direito Constitucional, Vera Chemim, afirmou que o impedimento de Milei evidencia decisões arbitrárias e revela uma intenção de prejudicar a direita. O deputado Maurício Marcon também criticou a medida, considerando-a um sinal preocupante da escalada autoritária promovida por Moraes.
A proibição de Milei contrasta com a visita do presidente Lula a Cristina Kirchner em julho de 2025, quando a ex-presidente argentina estava sob prisão domiciliar. Enquanto Lula foi autorizado a se encontrar com Kirchner, a visita de Milei a Bolsonaro foi barrada, levantando questões sobre um possível duplo padrão nas decisões do STF.
O evento em que Milei participaria é visto como um marco na corrida presidencial, com aliados do PL acreditando que sua presença conferiria dimensão internacional ao lançamento da candidatura de Flávio. A relação entre Milei e Bolsonaro, cultivada desde 2023, é considerada importante para a direita latino-americana, especialmente em um momento em que Milei busca se afirmar como líder conservador na região.
Opinião
A proibição de Moraes levanta questões sobre a liberdade de expressão e a autonomia política, refletindo um clima de tensão nas relações entre os poderes no Brasil e na América Latina.





