O governo do Reino Unido anunciou em 14 de novembro de 2023 um plano para restringir o uso de redes sociais por adolescentes de 16 e 17 anos durante a madrugada. A proposta prevê um bloqueio automático de aplicativos como Instagram, TikTok e YouTube entre meia-noite e 6h.
O recurso virá ativado por padrão, mas os próprios usuários poderão desativá-lo nas configurações da conta. Além disso, recursos considerados “viciantes”, como reprodução automática de vídeos e feeds com conteúdo personalizado contínuo, também serão desligados por padrão para essa faixa etária. A medida amplia o pacote de restrições já anunciado pelo governo britânico em junho, quando ficou definida a proibição total de redes sociais para menores de 16 anos, a partir do primeiro semestre de 2027.
Objetivos e reações
Segundo o Departamento de Ciência, Inovação e Tecnologia (DSIT), o objetivo é evitar que os jovens enfrentem uma mudança abrupta de regras ao completarem 16 anos. A ministra da Tecnologia, Liz Kendall, afirmou que as medidas ajudarão os jovens a dormir melhor, se concentrar nos estudos e passar mais tempo com a família.
O ministro da segurança online, Kanishka Narayan, declarou à BBC que a combinação entre o toque de recolher e a limitação do autoplay tornará o Reino Unido “o lugar mais rigoroso do mundo” em regulação de plataformas. O texto regulatório será apresentado ao parlamento até o fim de 2023, com entrada em vigor prevista para a primavera de 2027, junto à proibição para menores de 16 anos.
Testes com adolescentes e críticas de especialistas
A proposta se baseou em um piloto do governo com mais de 300 adolescentes e suas famílias. A pesquisa testou três alternativas: limitar o uso a 15 minutos diários, bloquear o acesso entre 21h e 7h ou excluir os aplicativos por completo. O bloqueio noturno foi o mais fácil de manter e trouxe os ganhos mais consistentes para o sono dos participantes. Famílias relataram que os adolescentes passaram a dormir mais cedo, sentir mais disposição e ter mais interações presenciais em casa.
No entanto, alguns jovens relataram isolamento das amizades online e mudanças de humor no início da adaptação, em um efeito comparado por pais a uma abstinência. Nem todos veem a proposta como suficiente. Ellen Roome, ativista cujo filho morreu em 2022 após um desafio online, criticou a proposta como insuficiente, afirmando que um recurso que pode ser desligado não resolve o problema. A parlamentar conservadora Laura Trott chamou o plano de confuso, enquanto Andy Burrows, do Molly Rose Foundation, classificou as medidas como fragmentadas e insuficientes.
Decisões do governo e comparações internacionais
O governo decidiu não restringir o uso de VPNs, ferramentas que permitem mascarar a localização e driblar bloqueios por idade. Segundo o levantamento oficial, entre 7% e 10% dos menores relataram usar VPN especificamente para contornar verificações de idade, número considerado baixo para justificar a medida. O pacote também prevê regras para o uso de chatbots de inteligência artificial por menores de idade, incluindo pausas obrigatórias durante o uso e restrições a assistentes que ofereçam orientações de saúde mental sem verificação.
Outros países discutem caminhos semelhantes. A União Europeia avalia a criação de uma “maioridade digital”, que restringiria o uso pleno de plataformas a maiores de 18 anos. Na Austrália, primeiro país a proibir redes sociais para crianças, especialistas identificaram falhas na verificação de idade que comprometem a eficácia da proibição.
Opinião
A proposta do governo britânico reflete uma preocupação crescente com o bem-estar dos jovens, mas as críticas indicam que mais medidas podem ser necessárias para enfrentar os desafios das redes sociais.




