Internacional

China acelera busca por autossuficiência em semicondutores após restrições dos EUA

China acelera busca por autossuficiência em semicondutores após restrições dos EUA

A China deve acelerar sua busca por autossuficiência em semicondutores após as restrições dos Estados Unidos ao acesso de empresas chinesas aos chips mais avançados da Nvidia. É o que afirmou Alexandre Uehara, coordenador do curso de relações internacionais da ESPM e especialista em Ásia.

Em entrevista ao Times Brasil, Uehara destacou que a tentativa americana de limitar o avanço chinês em inteligência artificial levou Pequim a ampliar investimentos próprios em tecnologia. “No primeiro momento, os Estados Unidos tentaram evitar que a China avançasse e utilizasse os chips mais avançados”, afirmou.

Investimentos em Tecnologia Chinesa

Segundo o especialista, a China ainda não está no mesmo patamar da Nvidia, mas já adota políticas para estimular o uso de processadores nacionais, mesmo que estejam abaixo da tecnologia americana mais avançada. “Logicamente, eles não estão no mesmo patamar da Nvidia neste momento”, disse.

A estratégia busca dar escala e receita às empresas chinesas, permitindo que tenham mais recursos de pesquisa e desenvolvimento e possam competir no médio e longo prazo. “A China está olhando para o futuro. A China não está muito preocupada com curto prazo, está preocupada com longo prazo”, afirmou Uehara.

Dependência em Terras Raras

O especialista também destacou o peso das terras raras e dos ímãs na estratégia chinesa. Segundo ele, o controle dessa cadeia ainda dá vantagem relevante a Pequim em negociações comerciais e tecnológicas. Apesar de países como o Brasil começarem a discutir exploração e regulamentação de terras raras, Uehara afirmou que a China está muito à frente por ter investido há mais tempo em pesquisa e processamento.

“A China vem investindo nisso já há muito tempo. As empresas chinesas e as universidades chinesas têm investido muito em pesquisa e desenvolvimento”, disse.

A Atuação do Quad e a Questão de Taiwan

Uehara também analisou a atuação do Quad, grupo formado por Estados Unidos, Japão, Índia e Austrália. A construção de um porto em Fiji e os pactos envolvendo minerais críticos têm um objetivo estratégico no Pacífico. “As ilhas Fiji ficam no coração do Pacífico Sul e a China tem avançado bastante em termos de poder de influência”, disse.

Taiwan permanece no centro da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Uehara afirmou que a ilha é relevante pela produção de chips e que essa importância funciona como fator de risco e proteção. “Taiwan é ameaçada pela China, mas essa importância estratégica faz de Taiwan um seguro contra uma invasão”, afirmou.

Uma ação militar chinesa poderia gerar sanções e instabilidade suficientes para prejudicar o próprio projeto econômico de Pequim. O professor destacou que Taiwan é uma “linha vermelha” para a China, que não aceitaria uma declaração formal de independência.

Opinião

A busca da China por autossuficiência em semicondutores evidencia a crescente tensão entre potências globais e a necessidade de um equilíbrio nas relações comerciais.