Uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) prendeu, nesta quinta-feira (9), seis pessoas envolvidas em um suposto esquema de corrupção que desviou R$ 86,28 milhões dos cofres do estado do Rio de Janeiro. Entre os presos está o presidente do Instituto Rio Metrópole (IRM), Davi Perini Vermelho, conhecido como “Didê”.
A investigação, que começou em janeiro de 2023, apura o desvio de verbas por meio do IRM, que é responsável por elaborar projetos nas áreas de mobilidade, saneamento, meio ambiente, tecnologia e habitação. Ao todo, o MPRJ denunciou 11 pessoas à Justiça, pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitação e lavagem de dinheiro.
Contratos e desvios
De acordo com a denúncia, os acusados utilizaram contratos milionários firmados entre julho de 2022 e maio de 2026 para desviar recursos públicos. O MPRJ detalhou que os valores eram pagos a duas empresas contratadas, que repassavam, por meio de contratos simulados, para a ONG Instituto Bio, presidida por Caroline Soares Barros, flagrada com R$ 500 mil em espécie.
O dinheiro era transportado com apoio de uma empresa privada de escolta armada, dificultando o rastreamento. A investigação revelou que a ONG não tinha estrutura operacional compatível com os serviços contratados e que Caroline era também fiscal de contratos do IRM.
Bloqueio de bens e repercussões
O MPRJ solicitou à Justiça o bloqueio de bens até o limite de R$ 86,3 milhões e o pagamento de R$ 200 milhões por danos morais coletivos. A Justiça já decidiu pelo afastamento dos denunciados dos cargos públicos. Entre os denunciados está Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do IRM, pai do deputado estadual Alexandre Knoploch.
O governo do Rio de Janeiro informou que a ação é resultado de um trabalho conjunto entre órgãos do Estado, após auditoria interna identificar indícios de irregularidade nos contratos. O atual governador interino, Ricardo Couto, assumiu após a renúncia de Cláudio Castro, que foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Opinião
A operação do MPRJ revela a gravidade da corrupção no setor público e a necessidade de medidas rigorosas para proteger os recursos da população.





