O acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul deve intensificar a análise sobre os custos e a lentidão dos pagamentos internacionais entre os dois blocos. Essa situação abre espaço para que as stablecoins e outras infraestruturas digitais sejam discutidas por bancos e empresas, conforme avalia Stijn Vander Straeten, CEO do Crypto Finance Group, parte do Deutsche Börse Group.
Vander Straeten destaca que o aumento esperado no comércio entre a América Latina e a Europa tornará mais evidentes as limitações dos sistemas tradicionais de transferências internacionais, que ainda dependem de bancos correspondentes e múltiplos intermediários. Segundo ele, o acordo Mercosul-UE terá um impacto significativo sobre o comércio entre Argentina, Brasil e outros países da região com a Europa.
O executivo ressalta que os trilhos bancários tradicionais são caros, especialmente para empresas menores. As transferências internacionais entre a América Latina e a Europa podem consumir de 3% a 6% do valor da operação. Nesse contexto, as stablecoins, que são moedas digitais atreladas a valores de moedas tradicionais, poderiam facilitar pagamentos com menor tempo de processamento.
No entanto, Vander Straeten adverte que o uso de stablecoins no comércio exterior não elimina a necessidade de bancos, pois ainda há demanda por controles e suporte operacional. Ele menciona que um produtor de soja na Argentina provavelmente não fará transações diretamente com stablecoins sem garantias adequadas.
A discussão sobre o uso de stablecoins ganhou força na Europa após a entrada em vigor do MiCA, um marco regulatório para criptoativos, que foi implementado em etapas e finalizou sua transição em 1º de julho. Desde então, prestadores de serviços de criptoativos precisam se enquadrar nas novas regras para atender clientes da UE.
A Binance, uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo, suspendeu alguns serviços em países do bloco europeu por não se enquadrar completamente nas novas regulamentações. Vander Straeten acredita que isso tende a favorecer empresas que oferecem infraestrutura regulada a bancos e clientes institucionais.
Por fim, ele questiona se os países da região se abrirão ou tentarão limitar o fluxo livre de stablecoins. Se houver abertura, muitos na América Latina podem optar por usar stablecoins de dólar ou euro em vez de suas moedas locais, o que também traz uma dimensão política importante.
Opinião
A crescente discussão sobre stablecoins e pagamentos internacionais revela a necessidade urgente de modernização no sistema financeiro, especialmente com o aumento das transações comerciais entre a América Latina e a Europa.





