Economia

Caged revela queda alarmante de empregos e salário médio; FGV-Ibre alerta

Caged revela queda alarmante de empregos e salário médio; FGV-Ibre alerta

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho em 30 de outubro, mostram um cenário preocupante para o mercado de trabalho brasileiro. O economista João Mário de França, do FGV Ibre, analisa que a forte política de contração monetária do Banco Central (BC) está começando a afetar a criação de empregos.

No mês de maio de 2023, foram abertas apenas 72.960 vagas, uma diferença alarmante em relação às 153.108 vagas criadas no mesmo mês do ano anterior. Este resultado representa o pior desempenho desde maio de 2020.

Setores em Queda

A análise de João Mário de França revela que a maioria dos setores apresenta números negativos em comparação ao ano passado. O comércio lidera a queda, com uma redução de 157,1% nas vagas criadas, seguido pela agropecuária (-79,1%), indústria (-38,3%) e serviços (-13%). Esses dados refletem a pressão das taxas de juros elevadas que o Brasil enfrenta atualmente.

Salário Médio em Queda

Outro ponto crítico destacado pelo economista é a diminuição do salário médio de admissão, que caiu para R$ 2.384,10, uma redução de R$ 17,97 em relação ao mês anterior. Essa queda no salário médio pode influenciar a decisão do Banco Central sobre a continuidade do ciclo de queda de juros.

Contratações Intermitentes

Apesar do cenário negativo, o levantamento de maio também mostrou um ganho líquido de 33.478 novos postos de trabalho intermitente, incluindo aprendizes, temporários e contratados com carga horária de até 30 horas. Esse tipo de contratação representou quase metade do resultado total, evidenciando uma mudança no perfil das vagas disponíveis.

João Mário de França observa que as contratações temporárias no setor público, especialmente em saúde e educação, tendem a aumentar no início do ano, mas diminuem ao longo do tempo, o que pode impactar ainda mais os números do mercado de trabalho.

Opinião

A situação atual do mercado de trabalho é um reflexo direto das políticas econômicas em vigor. A necessidade de um equilíbrio entre a política monetária e as iniciativas de impulso fiscal é essencial para reverter esse quadro alarmante.