Uma resolução aprovada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 23 de outubro de 2023 estabelece novos critérios para a participação de crianças e adolescentes em plataformas digitais. A medida visa regulamentar o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), criando diretrizes para a autorização judicial necessária para que menores de idade possam atuar como influenciadores.
De acordo com a nova normativa, a autorização judicial deverá ser individual para cada criança ou adolescente, mesmo em atividades que envolvam participação coletiva. Os juízes terão a responsabilidade de analisar cada pedido considerando aspectos como frequência da exposição, conteúdo produzido, formas de divulgação e a compatibilidade da atividade com o desenvolvimento físico, psíquico, moral, social e educacional do menor.
Critérios de Análise e Vedação de Conteúdos
Os magistrados deverão avaliar limites para horários, frequência e duração das atividades, além de garantir períodos de descanso e alimentação, proteção da saúde física e emocional, e preservação da frequência escolar. A resolução também veda a participação em conteúdos que promovam apostas, jogos de azar, discursos de ódio e outras formas de violência contra grupos vulneráveis.
Para garantir a segurança e a transparência, o CNJ determinará que os juízes definam onde serão depositados os valores gerados pelas atividades das crianças nas plataformas digitais. Os alvarás de liberação terão validade máxima de 12 meses para crianças e 18 meses para adolescentes.
Banco Nacional de Alvarás (BNAD)
Um dos principais avanços da resolução é a criação do Banco Nacional de Alvarás para a Participação de Crianças e Adolescentes no Ambiente Digital (BNAD). Este banco reunirá as autorizações concedidas e servirá para orientar decisões judiciais, além de subsidiar políticas públicas de proteção a crianças e adolescentes no ambiente digital.
O Ministério Público também terá participação ativa no processo de autorização, garantindo que as condições para a atuação de menores em plataformas digitais estejam alinhadas com sua proteção e desenvolvimento.
Opinião
A regulamentação do ECA Digital pelo CNJ representa um passo importante para a proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais, mas sua implementação exigirá vigilância constante para garantir que os direitos dos menores sejam respeitados.





