Independentemente de quem vencer a eleição presidencial de 2026, a agenda do próximo governo estará dominada pela urgência de equilibrar as contas públicas. O crescimento acelerado de despesas obrigatórias, o endividamento em alta e os pesados juros criaram o principal desafio do futuro mandato.
Os sinais de alerta já aparecem, com investidores do mercado financeiro cobrando remunerações mais elevadas para financiar o Tesouro, o que aumenta as taxas dos títulos públicos de longo prazo. Essa situação levanta preocupações sobre a capacidade do governo de estabilizar a dívida nos próximos anos.
Risco de falta de recursos em 2027
Projeções divulgadas pelo Ministério do Planejamento em 2025 indicam risco de faltar recursos no Orçamento para custear o governo a partir de 2027. O cenário reforça a percepção de que o presidente eleito herdará uma equação difícil, que exigirá confrontar as promessas de campanha com a realidade.
Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sustente que o país vive um ciclo de crescimento com inclusão social, a oposição denuncia o perigo da deterioração fiscal. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), rival na disputa eleitoral, promete dura contenção de gastos se assumir o comando do Palácio do Planalto.
Despesas crescem mais que a receita
Nos últimos anos, as despesas da União cresceram em ritmo superior ao de sua receita, após sucessivos recordes de arrecadação. Setores como previdência, folha de pagamentos, benefícios sociais e vinculações constitucionais consomem parcela crescente do Orçamento, reduzindo a margem para investimentos. Como resultado, gastos elevados alimentam dúvidas sobre a sustentabilidade das contas públicas.
O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou ao menos 10 medidas do governo em 2025 que descumpriram exigências previstas na lei fiscal. Segundo o parecer da Corte, despesas obrigatórias e programas oficiais foram adotados sem estimativas e compensações adequadas.
Preocupações com o futuro
Especialistas destacam a importância de o novo governo tomar medidas duras. O desafio não está apenas no Executivo, já que projetos em tramitação no Congresso podem ter alto impacto orçamentário. Em muitos casos, as despesas não têm fontes perenes de financiamento.
O empresário e conselheiro de gestão Ismar Becker alerta que o atual modelo fiscal criou uma dinâmica de crescimento automático dos gastos, que tende a absorver toda a arrecadação. O consultor financeiro Júlio Hegedus Neto acredita que a deterioração fiscal continuará exigindo prêmios elevados para a rolagem da dívida pública.
Opinião
O próximo governo enfrentará um cenário desafiador e será crucial que medidas de contenção de gastos sejam implementadas rapidamente para evitar uma crise fiscal mais profunda.





