O Banco Digimais, pertencente ao bispo Edir Macedo, de 81 anos, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, foi alvo de uma operação da Polícia Federal nesta terça-feira, 23 de outubro. Com um patrimônio estimado em R$ 9,6 bilhões, segundo a lista de bilionários da Forbes, Macedo é uma figura influente no cenário religioso e financeiro do Brasil.
Nascido no Rio de Janeiro em 1945, Edir Macedo cresceu em uma família católica e se tornou protestante aos 19 anos. Em 1975, ele fundou a Cruzada Religiosa do Caminho Eterno e, em 1977, junto com o cunhado Romildo Ribeiro Soares, conhecido como R. R. Soares, deu início à Igreja Universal. A parceria foi rompida em 1980, quando Soares fundou a Igreja Internacional da Graça de Deus.
Nos primeiros oito anos, a Universal expandiu rapidamente, alcançando 195 templos em 15 estados brasileiros. Em 1989, Edir Macedo adquiriu a TV Record por US$ 45 milhões (cerca de R$ 620 milhões nos dias de hoje), uma transação que exigiu que ele não participasse das negociações.
Atualmente, a Igreja Universal está presente em 150 países e realiza pregações em 102 línguas. Em 1992, Edir Macedo foi preso em São Paulo por 11 dias, sob a acusação de charlatanismo, mas o caso foi arquivado após pressão de fiéis e artistas.
Com uma trajetória marcada por proximidade com o poder político, Macedo apoiou todos os presidentes eleitos desde a redemocratização e, em 2022, declarou voto em Jair Bolsonaro (PL), mas logo após o resultado do segundo turno, afirmou que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito por “vontade de Deus”.
A entrada de Edir Macedo no setor financeiro ocorreu em 2020, quando ele comprou o antigo banco Renner, que foi rebatizado como Banco Digimais, com a sede transferida de Rio Grande do Sul para São Paulo. Desde 2009, ele já era acionista minoritário do banco.
Opinião
A operação da Polícia Federal contra o Banco Digimais levanta questões sobre a relação entre religião e negócios no Brasil, especialmente no que tange ao poder de influência de figuras como Edir Macedo.





