No Brasil, oito em cada dez mulheres muçulmanas são vítimas de islamofobia, conforme aponta a 3ª edição do Relatório de Islamofobia do Brasil, produzido pelo Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos e Árabes (Gracias) da Universidade de São Paulo (USP). O estudo analisou relatos de 328 mulheres, abrangendo tanto sunitas quanto xiitas.
Dados alarmantes sobre discriminação
O relatório revela que 84,5% das vítimas de islamofobia são brasileiras revertidas, destacando a intensa articulação coletiva desse grupo. A pesquisa também mostra que 36,4% das discriminações ocorrem nas ruas e 30,9% na internet, com o Instagram concentrando 74,5% dos casos de agressões.
Consequências da islamofobia
As mulheres muçulmanas enfrentam discriminação em diversos ambientes, sendo que 19,7% das agressões ocorrem no trabalho. Muitas relatam que essa situação gerou sérios problemas de saúde mental, como depressão e transtornos de ansiedade. Uma das entrevistadas compartilhou que foi chamada de “mulher bomba” por um médico, enquanto outra foi demitida após seu chefe alegar que sua presença causava “má impressão” aos clientes.
Desafios na denúncia
Apesar da gravidade da situação, apenas 6% das brasileiras revertidas registram boletim de ocorrência, uma taxa inferior à de brasileiras nascidas muçulmanas, que é de 8,7%. Muitas mulheres não acreditam que suas denúncias serão investigadas, o que agrava o problema da impunidade.
Ambiente virtual e redes sociais
O relatório também destaca que o Instagram é a plataforma que mais concentra casos de agressões, com 120 relatos de violência. Em resposta, a rede social afirmou que trabalha para prevenir violência relacionada ao conteúdo em suas plataformas, embora a coordenadora do Gracias, professora Francirosy Campos Barbosa, critique a eficácia dessas políticas, argumentando que minimizam a gravidade das ameaças.
Opinião
É fundamental que a sociedade brasileira reconheça e combata a islamofobia, promovendo um ambiente de respeito e acolhimento para todos.





