A recente decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, oficializada em 5 de maio de 2023, reorientou o debate sobre segurança pública no Brasil, especialmente nas eleições de 2024.
Após o anúncio, as pré-candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) passaram a expor suas visões divergentes sobre o combate à criminalidade. Flávio, que esteve na Casa Branca em uma visita a Donald Trump, busca capitalizar a medida, acreditando que isso pode lhe render dividendos eleitorais.
Tensão e Reação do Governo Federal
A classificação dos grupos como terroristas provocou reações no governo federal, que reativou a defesa da soberania nacional. Lula e seus aliados enfrentam críticas sobre a suposta “leniência” da esquerda com o crime organizado. A pressão popular por medidas efetivas se reflete em uma pesquisa que mostra que 73% dos brasileiros apoiam a qualificação de organizações criminosas como terroristas.
O senador Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha de Flávio, afirmou que essa classificação é uma oportunidade para buscar apoio internacional e proteger a população da violência. Ele defende a desarticulação das facções criminosas que dominam territórios.
Propostas de Segurança e Críticas
As propostas de Flávio incluem a redução da maioridade penal e a construção de mais presídios, além de elogios à política de segurança do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que é questionada por violações de direitos humanos. Por outro lado, Lula enfatiza o uso de inteligência e instrumentos nacionais no combate ao crime organizado.
O Instituto Sou da Paz, que atua na temática de segurança há 25 anos, organizará um seminário em 9 de outubro de 2023, com o objetivo de discutir segurança pública de forma mais ampla, além de soluções simplistas. A diretora-executiva do instituto, Carolina Ricardo, alerta para o risco de que a classificação dos grupos seja utilizada como uma solução mágica para o problema da criminalidade.
Opinião
A discussão sobre segurança pública está se intensificando e é fundamental que propostas sejam baseadas em evidências, evitando soluções simplistas que não resolvem os problemas estruturais do país.





