Economia

TMF Group revela: Brasil é o 3º país mais burocrático e afasta investidores

TMF Group revela: Brasil é o 3º país mais burocrático e afasta investidores

O Brasil consolidou sua posição como o terceiro país mais burocrático para negócios no mundo, segundo o ranking global do TMF Group. Esse cenário reflete um ambiente onde o emaranhado regulatório e a insegurança institucional atuam como barreiras diretas ao crescimento das empresas.

Os problemas centrais incluem sistemas tributários complexos, constantes mudanças regulatórias e a morosidade na abertura de empresas. Além disso, a rigidez das leis trabalhistas atua como um freio adicional, drenando recursos que poderiam ser investidos em inovação e expansão.

Complexidade Tributária e Carga Alta

A carga tributária brasileira foi de 33,7% do PIB em 2024, segundo dados da OCDE. Essa carga é comparável à dos países desenvolvidos, que ficou em 34,1%. O diagnóstico é claro: o Brasil paga impostos elevados, mas ainda luta para melhorar sua infraestrutura e ambiente de negócios.

Além disso, entre 1988 e 2025, foram criadas 2,36 normas tributárias a cada hora útil, aumentando a complexidade para as empresas. O chefe da TMF Group no Brasil, Santiago Ayres, afirma que a reforma tributária busca simplificação, mas aumentará a complexidade até 2032.

Volatilidade Jurídica e Insegurança

A volatilidade das regras é outro fator que afasta o capital de longo prazo. Especialistas apontam que a insegurança jurídica é um dos principais obstáculos ao crescimento, com decisões judiciais variando conforme o juiz responsável. A aplicação das leis depende muito da interpretação individual, o que gera incerteza para os investidores.

O tempo médio de um processo judicial no Brasil é de 831 dias, e na Justiça estadual, chega a 941 dias, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Essa morosidade, somada à falta de recursos no Judiciário, desincentiva o investimento privado.

Burocracia Operacional e Digitalização

A burocracia operacional também se destaca, com leis trabalhistas rígidas e a necessidade de registros em três níveis governamentais. Apesar da digitalização com o SPED e o eSocial, a fiscalização governamental aumentou, exigindo maior precisão e integração entre sistemas.

Assim, a burocracia no Brasil não desaparece; ela evolui para um ambiente de conformidade mais sofisticado, que demanda maior atenção das empresas para evitar penalidades.

Opinião

A complexidade da burocracia e a instabilidade jurídica no Brasil precisam ser abordadas urgentemente para que o país possa atrair investimentos e estimular o crescimento econômico sustentável.