Economia

Congresso discute PEC que pode alterar jornada de trabalho no Brasil

Congresso discute PEC que pode alterar jornada de trabalho no Brasil

A PEC em tramitação no Congresso brasileiro busca modificar a jornada de trabalho, propondo o fim da escala 6×1. A justificativa para essa mudança é a melhoria da qualidade de vida e a modernização das relações de trabalho. No entanto, especialistas apontam que essa proposta pode enfrentar sérios desafios.

Comparação com países desenvolvidos

Países como Alemanha, França, Dinamarca e Holanda têm conseguido manter jornadas de trabalho menores, com altos salários e empresas competitivas. Na Alemanha, por exemplo, a produtividade chega a US$ 90 por hora, enquanto no Brasil esse número varia entre US$ 17 e US$ 21. A Bélgica aprovou a semana de quatro dias em 2022, evidenciando a viabilidade de jornadas reduzidas em economias desenvolvidas.

Desafios da produtividade no Brasil

O professor José Pastore, da Universidade de São Paulo, destaca que a produtividade no Brasil ainda enfrenta gargalos como infraestrutura precária e baixa qualificação da força de trabalho. Para ele, a redução da jornada deve ocorrer somente após um aumento significativo de produtividade, algo que, segundo ele, leva tempo e não pode ser imposto de forma abrupta.

Impactos da redução da jornada

O economista Hélio Zylberstajn alerta que a proposta da PEC pode criar um problema tanto para empresas quanto para trabalhadores. Ele menciona que a redução de horas trabalhadas poderia levar a um aumento de 8,5% na produtividade, o que representa um grande desafio para o Brasil, cuja produtividade está estagnada.

Alternativas e negociações coletivas

Ambos os especialistas concordam que uma abordagem mais eficaz seria a implementação de mudanças por meio de negociações coletivas. A experiência de outros países, como o Chile, que adotou a redução de jornada de forma gradual e negociada, é citada como um modelo a ser seguido.

Opinião

A discussão sobre a jornada de trabalho no Brasil deve ser conduzida com cautela, levando em consideração as especificidades de cada setor e a realidade do mercado de trabalho, evitando imposições que possam prejudicar tanto empresas quanto trabalhadores.