O IPCA de abril trouxe más notícias sobre a inflação, especialmente devido ao comportamento dos preços de alimentação no domicílio e dos bens industrializados. O indicador subiu 0,67% no mês passado, abaixo do 0,88% de março, mas ainda assim a maior taxa para o mês desde 2022. A alta do petróleo, causada pelo conflito no Oriente Médio, pressiona as cotações dos combustíveis, aumentando os custos de logística e encarecendo fretes, o que afeta os preços de alimentos e, em alguma medida, os bens industriais.
Desafios para o Banco Central
Esse cenário deverá levar o Banco Central (BC) a ser mais cauteloso no ciclo de queda da Selic, resultando em cortes mais modestos dos juros, que atualmente estão em 14,5% ao ano. No acumulado em 12 meses, a variação do IPCA passou de 4,14% em março para 4,39% em abril, distanciando-se da meta de 3%.
Preços de Alimentos e Expectativas
As perspectivas para os preços de alimentos pioraram significativamente desde o começo do ano, o que pode afetar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em abril, os preços de alimentos subiram 1,64%. O economista-sênior da 4intelligence, Fábio Romão, projetava que o grupo alimentação no domicílio no IPCA terminasse 2026 com alta de 3,5%, mas agora estima um aumento de 6,1%, uma aceleração expressiva em comparação ao 1,4% do ano passado.
Em 12 meses, o grupo acumula alta de 1,52%, refletindo o período de deflação registrado entre junho e novembro de 2025. Romão destaca que essa nova estimativa está relacionada com as recentes altas de derivados do petróleo, que impactam tanto a logística quanto o preço de fertilizantes.
Impactos da Inflação e Projeções Futuras
A inflação de bens industriais também acelerou, passando de 0,31% em março para 0,62% em abril. A expectativa é de que os preços de bens industriais ganhem fôlego, fechando em alta de 3,13% para o ano. Além disso, os preços da gasolina subiram 1,86%, uma alta forte, mas inferior à de 4,59% registrada em março.
Para o IPCA cheio, Romão manteve a projeção de 5%, acima dos 4,26% de 2025 e superior ao teto da banda de tolerância da meta, de 4,5%. Essa previsão se justifica pelos desdobramentos do conflito EUA-Irã, que afetam a precificação de uma enorme cadeia de bens e serviços.
Opinião
A alta persistente dos preços, especialmente de alimentos, representa um desafio significativo para o governo e pode impactar a popularidade de Lula, exigindo ações mais efetivas por parte do Banco Central.





